Tia Maria Bueno

        Nesta semana fui surpreendido com a notícia da partida da querida tia Maria Bueno e passou um filme na minha cabeça.

       Voltei a um dia ensolarado tendo como palco a grande piscina do DTC no comando ninguém mais que nosso poderoso Sargento Vieira , nós peixinhos do sargento dando o que tínhamos de melhor numa competição de natação. Ao seu lado a querida Angela  sua fiel escudeira na organização de tudo, mas ao começar a prova logo se escutava um sonoro e vibrante grito: Vai muleta, vai muleta , puxaaaa, puxaaaaa. Aos berros a mais entusiasmada de todas as torcedoras Tia Maria Bueno, uma mãezona não só de sua Alice Maria mas de todos nós.

       Em nossas viagens para as competições de natação, sempre a tínhamos como protetora, não existia tempo ruim e dificuldade para fazer o melhor.

      Minha história não ficou só na natação, passei grande parte da minha infância e adolescência no convívio da família Bueno , era muito amigo das meninas Alice Maria, Maria Helena e Roxane, quantos casos vividos na Chácara do Seu Noé .

        Lembro que para irmos para Chácara , pegávamos o ônibus até o bairro Nossa Senhora das Graças , dali para frente era a pé por uma estradinha de terra no meio do pasto até lá.

         Nesta época a Chácara era muito bonita na entrada existia um rego da Lina com muita água, que na época das chuvas dificultava a passagem, logo depois já vinha os galpões antigos , marcas do que foi aquela fazenda ,um grande curral e logo após a casa com sua grande varanda rodeada pelo  pomar. Naquela época o rio Itapecerica ainda era limpo e com muita agua, lindo mesmo serpenteava a fazenda toda.

        Ali vivia a poderosa e querida família Dona Alice , Seu Noé, já bem idosos , Tia Maria , Seu Geraldinho e Alice Maria. Sempre presentes as outras filhas e netas , minha querida e muito  amiga , uma segunda mãe para mim Tia Rosa , a alegria em forma de gente, tinha também sempre a passeio vinda de BH a Tia Leda , sempre muito chique e educada.

       Nesta casa a vida era uma festa, muita fartura e muita alegria e muitos casos.

       Me lembro que quando morreu o Seu Noé, após alguns dias fui dormir na chácara ,  e ficamos no curral conversando até tarde, eu Maria Helena, Alice Maria e Roxane , depois de muitos casos e muita risada, perguntei onde dormiria e me disseram que era no quarto que o Seu Noé morreu, prá que, dei um show , queria ir embora de qualquer jeito, e como sair aquela hora , não tinha como,  pegaram no meu pé e passei a noite pedindo para amanhecer, kkk.

       Minha querida Tia Maria Bueno, a primeira sacoleira do Paraguai, meu muito obrigado por grandes momentos vividos, que sua caminhada continue simples assim como foi e cheia de luz.                   

             

© 2009-2019. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.