quinta-feira, 10 de Maio de 2018 09:36h Portal Gazeta do Oeste

Coluna Direito a Saúde

REAJUSTES ALTOS AFASTAM BRASILEIROS DOS PLANOS DE SAÚDE

Aumento dos custos médicos acima da inflação torna convênios inacessíveis a uma parcela cada vez maior da população.

Em 2017 o IPCA teve variação de 2,95%. Já a inflação médica foi de 17,91%. Em consequência dos altos reajustes dos planos, um número crescente de consumidores vem desistindo de manter os convênios, que se tornaram excessivamente caros. De 2014 até fevereiro deste ano, cerca de 3 milhões de pessoas ficaram sem a cobertura dos planos, de acordo com dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar, órgão responsável pela fiscalização das operadoras.

Os brasileiros que decidiram sair do plano de saúde por não encontrarem alternativas que caibam no bolso acabam optando por usar serviços de consulta e exames e recorrem ao SUS em caso de emergência.

Outros, que poderiam continuar a bancar a despesa preferem ter um alívio no orçamento diante de preços exorbitantes. Eles aplicam o dinheiro que gastariam com o plano, confiando no SUS e que os gastos com saúde que possam vir a ter não serão tão elevados quanto o alto preço que pagavam pelo plano.

Além de afastar clientes, os altos preços dos planos deixam muitas pessoas de fora do sistema privado. Um estudo recente realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito com 1.500 consumidores, revela que 70% dos brasileiros não têm plano de saúde particular, seja ele individual ou empresarial.

A queda no número de usuários está ligada à crise econômica pela qual o país passou nos últimos anos, na visão do diretor-presidente substituto da Agência Nacional de Saúde Suplementar. Dois terços dos planos de saúde comercializados são do tipo coletivos empresariais.

Quem perde o emprego geralmente se vê obrigado a cortar a despesa porque fica difícil enquadrar o gasto com um plano individual no orçamento, em geral mais alto do que o do benefício concedido pelo empregador.

Mesmo quem continua empregado se vê em dúvida sobre continuar ou não com o plano. Apesar de mais acessíveis em geral, os usuários de planos coletivos empresariais sofrem com altos reajustes. Isso exerce uma pressão muito grande na negociação entre a empresa e o plano, e faz com que o empregador acabe por aceitar aumentos maiores.

A recomendação de especialistas é que os usuários pesquisem e optem por um plano individual acessível. O plano individual é mais caro em um primeiro momento, mas no longo prazo o reajuste pode ser menor. Já o coletivo pode ser mais acessível, mas tem um reajuste alto de um ano para o outro.

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