A GENTE NÃO AMA MAIS A SELEÇÃO?

Salvo exceções, você não ama quem te chuta. O sentimento não sobrevive ao desprezo.

O trabalho de elitização que os clube de futebol brasileiro fazem desde 2014 já é realizado pela Confederação Brasileira de Futebol há muitos anos.

Nas palavras de Alexandre Kalil, ex-presidente do Atlético, futebol no estádio não é coisa pra pobre. Infelizmente Kalil não está sozinho nesse tipo de pensamento. Muito pelo contrário, aliás. Praticamente cem porcento dos dirigentes do futebol brasileiro acham que futebol é um grande negócio e, portanto, deve ser vendido pra gente que tem grana.

Kalil, Ricardo Teixeira, os Perrela, Petragllia e outros tantos trabalharam duro para que o pobre fosse excluído do futebol. Afinal, quem pode comprar uma camisa que custa R$ 250,00 ou pagar R$ 100,00 pra entrar num estádio?

Se a proposta é transformar o futebol em esporte pra gente endinheirada e permitir que apenas os “bacanas” acessem os estádios, há que se aturar as consequências.

E quais são elas? Pra começo de conversa, esse público não tem muita paciência com falta de resultado. Estou cansado de ir ao campo e ver essa galera vaiando o time com cinco minutos de jogo.

Os jogadores da seleção brasileira ficaram chateados com as vaias e, ainda mais, com a indiferença do torcedor que pagou algumas centenas de reais pra ver Brasil e Bolívia no Morumbi pela Copa América.  “Não entendo o cidadão vaiar sua própria seleção”. Ah, mas eu entendo perfeitamente.

Entendo e explico: quem vai ao campo pra apoiar incondicionalmente é o pobre, o apaixonado, o sujeito que tem pouca coisa pra se apegar na vida. O cidadão que rala a semana inteira e no domingo vai às arquibancadas pra extravasar só quer amor, só quer aplaudir, só quer vibrar, só quer empurrar seu time.

Já aquele que compra ingresso por duzentos, trezentos contos, sente-se consumidor, não torcedor. Ele não vai ao estádio pra apoiar o time, sua intenção é ser recompensado pelo preço que pagou. Ao contrário de empurrar os jogadores para a vitória, exige isso deles. Quer seu produto, exige o resultado que acredita ter comprado.

Futebol sem povo é isso aí mesmo: indiferença, frieza e vaias.

Tirem o povo do estádio, mas aguentem o que vocês vão colocar no lugar.

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