ARGENTINA FAZ UM “REVIVAL” DO BRASIL DE SARNEY.

Vou falar aqui bem baixinho pra não chamar ninguém à atenção e, muito menos, passar a imagem de ser alguém que discorda da opinião geral. Em tais condições, apresento minha preocupação com aquilo que está acontecendo na Argentina.

Não seria Venezuela, Bruno?

Olha, a treta na Venezuela é muito mais grave porque envolve fechamento de meios de comunicação e umas eleições meio estranhas, além do fato de que o presidente afirma conversar com seu antecessor (já falecido) por intermédio de um passarinho.

Ocorre que no irmão portenho as coisas não são promissoras. Pior até, eu diria, o governo argentino de hoje anda tomando medidas que José Sarney praticou no Brasil em 1986. E disso posso falar de cadeira pois me lembro bem daqueles tempos, embora não passasse de um garotinho que acreditava no tetracampeonato do time de Telê.

Meu pai arrendara uma lanchonete e não conseguia comprar carne. O produto faltava no mercado. Ninguém vendia, muita gente queria comprar legalmente.

Que puerra é essa de comprar carne legalmente?, questionariam-me os jovens incautos.

É isso mesmo, crianças não estudiosas: pouco mais de trinta anos atrás era impossível comprar determinadas mercadorias porque ninguém queria vender. E por que cargas d’água o sujeito não vendia suas vacas para os açougues?

Resposta: o preço da carne, bem como o de vários outros produtos era tabelado. O Governo decidia quanto valia um quilo de alcatra, uma barra de sabonete ou aquela garrafa de cachaça pra esquecer as desgraças do dia-a-dia.

Se o tabelamento oficial estabelecia preços não interessantes, o dono da mercadoria simplesmente se recusava a vender ou então criava um mercado paralelo. Tráfico de carne, de papel higiênico, de fita cassete. Não é brincadeira. Quem quisesse comprar que pagasse ágio, ou seja, que garantisse ao fornecedor o sobrepreço exigido com relação à tabela governamental.

Fiscalize a alta dos preços! – dizia a propaganda do Sarney.

Quase quatro décadas depois, a Argentina repete o Brasil pós-ditadura, um Brasil do qual ninguém tem saudades. Exceto, talvez, aquele presidente do bigode.

Maurício Macri é o Sarney portenho e seu congelamento de preços traz à tona as lembranças dos malditos planos Cruzado, Bresser e tais.

Macri poderia aparecer nas novelas do canal Viva. Nos programas especializados em economia da GloboNews ou da Band, Macri deveria ser esconjurado.  

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