ATENAS E CLEÓPATRA, ELAS ESTÃO VOLTANDO.

Se a gente se anima a conhecer um pouco da história da humanidade vai descobrir que nem sempre fomos o que somos hoje.

Certas verdades pétreas atuais são, na linha do tempo histórica, nada mais do que um momento. Hoje vou falar apenas de uma dessas certezas contemporâneas: a fragilidade feminina diante do homem.

Nosso mundo é aquele em que se referem ao gênero feminino como “sexo frágil”, em que os homens ocupam a absoluta maioria dos cargos de decisão nas grandes companhias e governos – maioria tamanha que mulheres no comando se tornam notícias, por exceção que representam. Ademais, é o mundo em que o homem se impõe economicamente e por meio de violência.

É mentira que tenha sido sempre assim.

O mundo antigo era repleto de poderosas figuras femininas. O que falar sobre Cleópatra, por exemplo? E a crença em Afrodite, Hera, Atena...?

Com o estabelecimento do Cristianismo, a partir do imperador romano Constantino, a figura feminina foi perseguida, demonizada por meio da transformação do desejo sexual em pecado e, ao longo dos séculos, oprimida.

Se você se sente confortável e feliz com o status atual, prepare-se. Elas estão voltando.

Sou capaz de apontar no mínimo duas mulheres cuja importância atingirá a de Atena (deusa da mitologia grega), uma das causadoras da guerra de Troia, a protetora de Páris em sua busca por Helena, aquela que forneceu a Hércules as armas para realizar seus Doze Trabalhos.

Refiro-me a Malala Yousafzai e a Greta Thunberg.

A primeira, paquistanesa, foi baleada pelo Talibã em 2012, quando tinha quinze anos de idade. Seu crime: defender o direito das mulheres de estudar. Sobreviveu ao ataque e, ao invés de se intimidar com o horror terrorista-machista, elevou seu ativismo a nível mundial. Tornou-se a pessoa mais jovem a receber o Prêmio Nobel da Paz em 2014. Hoje é referência mundial na defesa dos direitos de minorias, especialmente as mulheres.

A segunda, adolescente sueca que mobilizou o mundo inteiro para realizar uma greve em favor da defesa do meio-ambiente. Começou seus trabalhos numa greve pessoal, faltando às aulas todas as sextas-feiras para chamar a atenção aos problemas ambientais, horrorizada que estava com a frieza dos adultos com relação ao tema. Em agosto deste ano, viajou da Suécia para Nova York num veleiro, destacando o problema das emissões de gases causadas por aviões.

Essas meninas já fizeram muito mais pelo planeta do que organizações bilionárias de senhores brancos vestidos de ternos finos.  

Malala e Greta são a esperança de um mundo novo, um planeta feminino, com os super poderes mitológicos de Atena e a realidade histórica de Cleópatra.

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