CAÇA AOS COMUNISTAS

É bastante constrangedor que tenhamos, em avançado Século XXI, apreensões que morreram nos anos 1970, no máximo 1980.

Acreditem: o Brasil não vive um risco comunista.

Nem sob os mais de dez anos de governos petistas tal risco se apresentou. Pergunte aos banqueiros, aos empresários ou analise o balanço das empresas durante tal período e a conclusão será fácil.

O horror ao comunismo já era exagerado em 1964. Hoje, parece uma piada àquelas pessoas que estudam um mínimo do passado e possuem ao menos rasa compreensão do presente.

O conservadorismo que dominou nossa sociedade atual está estruturado, em parte, na construção de um fantasma. “Não queremos ser uma Venezuela!” é o discurso que ilustra a bobagem.

Os elementos mais básicos do comunismo não estão no caderno de propostas de nenhum político de estatura no Brasil. Propor o fim da propriedade privada, por exemplo, é pauta que se resume à esquerda mais radical – PCO, PSTU, por exemplo. Nem o próprio PC do B pretende, a sério, um modelo comunista. Mas muita gente diz que até o PSDB seria desses...

A mal dos pecados, o pânico espalhado por meio dessa antiquada estratégia começa a produzir estragos sérios. Um deles, por exemplo, é o caso do Mais Médicos.

Quando foi lançado, o programa sofreu acusações de todo tipo de maluquice, inclusive de que aquelas pessoas não seriam médicos mas sim guerrilheiros cubanos trazidos para – adivinhem – implantar o comunismo no Brasil.

Os “guerrilheiros” levaram medicina para onde não havia. Cerca de 1.500 municípios brasileiros ficarão sem nenhum médico caso os cubanos deixem o país. Um estudo acredita que aumentará consideravelmente a mortalidade de pessoas idosas

É ótimo sermos críticos e atentos. Ser fanáticos e aloprados, ao contrário, não nos faz bem.

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