COMO FICAM AS INSTITUIÇÕES?

Hoje pela manhã, enquanto eu me arrastava numa pedalada de vinte quilômetros depois de duas semanas parado, ouvi o discurso do presidente eleito durante a solenidade de sua diplomação.

Admito, ciclista não deveria usar fones de ouvido, mas quando pedalo sozinho não resisto e costumo aproveitar pra escutar o noticiário.

Chamou-me a atenção principalmente a seguinte afirmação:

 

"O poder popular não precisa mais de intermediação. As novas tecnologias permitiram uma relação direta entre o eleitor e seus representantes. Nesse novo ambiente, a crença na liberdade é a melhor garantia de respeito aos altos ideais que balizam nossa Constituição”.

 

Jair Bolsonaro sabe bem sobre o que está falando, uma vez que sua campanha foi baseada exatamente numa estratégia de comunicação direta com o eleitor.

As relações sociais modernas parecem confirmar esse discurso. Hoje é comum que o cliente reclame diretamente ao presidente da empresa e este o escute, preocupe-se com o caso e responda, muitas vezes mesmo ignorando áreas da empresa que seriam responsáveis por esse tipo de contato.

Sinceramente, não sei se esse novo modelo será bom ou ruim, pois ainda temos poucos dados capazes de sustentar qualquer análise. Ainda assim, existe um ponto que já me preocupa: e as instituições, caramba?

Se o poder popular passa a ser exercido de maneira direta, que papel caberá, por exemplo, ao Parlamento? Embora o nosso, especificamente, seja de qualidade bastante duvidosa, não há como negar a importância das casas parlamentares num sistema democrático.

A discussão que aqui proponho vai muito além do vindouro novo governo federal brasileiro. O buraco é mais embaixo visto que, conforme os mais qualificados estudiosos do tema, o maior motivo do fracasso dos países pobres é a fragilidade de suas instituições.

Se você quer entender melhor o papel das instituições no sucesso e fracasso das nações, leia “Por que as nações fracassam”, obra de Daron Acemoglu e James Robinson.

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