COMO VAMOS VENCER O CRIME.

Ainda tenho um pouco a falar sobre o padrão velho-oeste do governador Wilson Witzel. A polícia do Rio de Janeiro matou, de janeiro a março deste ano, 434 pessoas (Fonte: Estadão). Isso dá praticamente 5 por dia. Ao mesmo tempo, não há nenhum estudo que aponte relação positiva entre a carnificina e qualquer redução da criminalidade. Óbvio. Primeiro, suponha que se tratassem de 434 bandidos – imediatamente outros tantos foram criados a partir dos efeitos da miséria. Segundo, se entre eles havia algum percentual de inocentes, tais mortes terão sido gratuitas.

Convenhamos, se você atira a esmo do alto de um helicóptero, pode acertar um bandido ou abater uma criança inocente.

É terrível e desesperador quando o próprio Poder Público assume a posição de criminoso. Caso se assustem com o termo, estou aberto a sugestões para qualificar o ataque aéreo sem lógica nem tática alguma.

Pior: o sub-procurador da Justiça Militar está tentando soltar os soldados do Exército que atiraram mais de 200 vezes contra o carro de uma família que simplesmente passava pela rua, levando à morte o motorista e um homem que caminhava próximo (Fonte: BBC). A fim de se justificar, Carlos Frederico de Oliveira Pereira afirmou que o Rio de Janeiro está em guerra e, portanto, a morte de civis é “inevitável”.

A fala do Dr. Pereira pode nos fazer questionar a inútil guerra às drogas, a pensar nas centenas de milhões de reais que poderiam ter sido aplicados em inteligência da segurança pública mas foram parar nos bolsos de Sérgio Cabral ou, ainda, a procurar os melhores exemplos mundiais. Não há nenhum caso de combate à criminalidade em que liberar a polícia pra matar geral tenha tido sucesso.

Vejamos um exemplo drástico: Medellín, na Colômbia, foi uma das cidades mais perigosas do mundo nos anos 1990. Sediava o cartel de drogas responsável por grande parte do tráfico de cocaína para os EUA. Suas ruas eram terra sem lei. Hoje é modelo mundial para o enfrentamento do crime. O que transmutou Medellín não foi o assassinato de Pablo Escobar, visto que rapidamente o clássico mafioso foi substituído por outros. A cidade colombiana venceu com três estratégias:

  • Equipou a polícia;
  • Investiu em inteligência
  • Ampliou a presença do Estado nas áreas pobres (Fonte: Exame)

A gente não vai ficar mais seguro matando aleatoriamente. A segurança só vem com processos estruturados, pensados, inteligentes. Carteirada, tiro à vontade e xerifes são coisa de filme. E só.

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