ERA SÓ MAIS UM SILVA

           “Era só mais um Silva que a estrela não brilha  

Ele era funkeiro mas era pai de família”

 

Mais um, menos um Silva vivo ou morto pouco importa. Não basta que os Silvas saiam atrás dos outros em todas as disputas por desenvolvimento profissional, que percam seus empregos pela obrigação de enfrentar filas de horas a fim de conseguir atendimento médico para seus filhos ou que sejam humilhados em diversas situações do cotidiano.

Tudo isso parece pouco para algumas pessoas para quem a vida dessa gente vale menos do que um picolé.

O SAMU nos forneceu dois exemplos desse abominável comportamento em poucos dias.

No sábado 5 de janeiro, em Curitiba, um empresário ligou para o serviço de urgência solicitando socorro para um “rapaz caído aqui no canteiro da Avenida Santa Bernadete, com a cabeça sangrando”.

A atendente perguntou se o ferido havia pedido socorro, ao que o empresário respondeu não saber, afinal “ele nem responde por ele”. Como se tratava apenas de mais um Silva, a atendente afirmou que “se quiser morrer aí o problema é dele. O senhor tem que perguntar se ele quer atendimento”.

Dias depois, na quinta-feira dia 10, em Imperatriz no Maranhão, o atendente do SAMU desconfiou que a pessoa necessitando de socorro fosse apenas mais um Silva e, portanto, não merecia o esforço do amparo médico. Quem ligava era uma comerciante que procurava ajuda para uma senhora idosa, desconhecida sua, ferida na rua.

“É moradora de rua, é?”, perguntou o homem ao telefone do SAMU, para depois negar o atendimento.

É péssimo que existam calhordas feito esses dois representantes da saúde pública, ao mesmo tempo em que trata-se de alívio saber que ainda tem gente boa tentando socorrer tantos Silva cujas estrelas não brilham.

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