GOSTE OU NÃO DO SUJEITO, ASSISTA À ENTREVISTA.

Tem um montão de gente que não gosta do Lula. Talvez você, que agora lê este texto, seja um desses. E, garanto, a presente postagem não se presta a defender o ex-presidente. Tratarei aqui apenas da entrevista concedida semana passada à Folha de S. Paulo e ao El País.

Lula apresentou-se impressionantemente forte e lúcido. Um ano de prisão, a morte de um irmão e – pior que tudo – a morte de seu netinho de 7 anos de idade, nada disso o derrubou. A perda do pequeno Arthur parece ter sido o golpe mais forte, à menção do qual ele chorou. Foi seu único momento de fraqueza durante aquelas duas horas.

Ao contrário do que se diz por aí, o homem é assustadoramente conhecedor da realidade brasileira e mundial. Deu verdadeira aula de um conhecimento seguro sobre economia, relações internacionais e, sobretudo, política. A encarnação do animal político está ali.

Sem qualquer consulta a anotações, o ex-presidente navegou entre diversas temáticas com uma intimidade ardente, uma paixão incomparável. Falou sobre História, citou de cabeça números de seu governo e de outros, fez análises claras e, sobretudo, não balbuciou nenhuma besteira.

Importante apontar que fugiu a alguns temas como alguma autocrítica sobre o comportamento do PT com relação aos casos de caixa dois.

Mostrou-se grato a adversários políticos como Tasso Jereissati e Gilmar Mendes, que ligaram para ele por ocasião da morte do pequeno neto, além de Hamilton Mourão que defendeu publicamente seu direito de sair da prisão para ir ao velório.

Para todos que se interessam pela história do Brasil, a entrevista é fundamental. Seja você lulista, anti-Lula ou isentão, não perca essa oportunidade.

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