HERÓI NACIONAL

O homem foi responsável por cerca de 500 casos de tortura e aproximadamente 60 mortes – incluindo desaparecimentos jamais esclarecidos. Seus métodos tornaram-se famosos pela crueldade.

Enfiar ratos vivos na vagina de mulheres era um de seus recursos. Repito: enfiar ratos vivos na vagina de mulheres amarradas, sob sua custódia.

Em 1972, levou duas crianças de 4 e 5 anos para assistir aos próprios pais serem torturados. O Jornal El País assim narrou a cena:

“Amelinha estava nua, sentada na cadeira de dragão, urinada e vomitada, quando viu entrar na sala de tortura seus dois filhos. Janaína, de 5 anos, e Edson, 4. Ustra havia mandado buscar as duas crianças porque queria que eles testemunhassem [a tortura] de seus pais”.

Entre os equipamentos utilizados por ele e seus comandados estava a citada cadeira de dragão, que a Wikipedia descreve como:

“uma espécie de cadeira elétrica, com assento, apoio de braços e espaldar de metal onde um indivíduo era amarrado (...). Eram amarrados fios em suas orelhas, língua, em seus órgãos genitais, dedos dos pés e seios. As pernas eram afastadas para trás por uma travessa de madeira que fazia com que a cada espasmo causado pelo choque elétrico sua perna batesse violentamente (...) causando ferimentos profundos”.

Esse homem foi Carlos Alberto Brilhante Ustra, chefe do Doi-Codi de São Paulo entre 1970 e 1974, no período mais sanguinário da ditadura brasileira. É o único torturador condenado pela justiça brasileira.

As vítimas torturadas eram, em sua grande maioria, estudantes ou militantes de partidos políticos contrários à ditadura. Amélia Teles e seu marido não eram criminosos. O ex-deputado Rubens Paiva era apenas isso, um ex-deputado, um homem pacífico.

Eu considero terrivelmente inaceitável que o chefe de um Estado democrático louve a figura de Ustra como um “herói nacional”.

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