“IDEOLOGIA DE GÊNERO”

Quando Damares Alves proclamou a “nova era” brasileira em que “menino veste azul e menina veste rosa”, ela não estava determinando a cor da roupa das crianças. É óbvio que o tema era muito mais profundo do que essa convenção social.

Titular do novo ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, a pastora queria mesmo era falar sobre “ideologia de gênero”.

Mas que caramba seria isso, afinal?

Vamos começar por gênero: masculino ou feminino. Não tem relação alguma com desejo ou prática sexual. Aqui estamos falando de biologia, órgãos sexuais.

Alguém pode se identificar com gênero diferente daquele apresentado por seu corpo e, mesmo assim, ser heterossexual. Assim como a situação oposta, em que a pessoa se sente ok com seu físico mas é atraída por pessoas do sexo oposto.

Exemplos práticos, embora arriscados, podem ajudar. Tamy Gretchen e Roberta Close nasceram em gêneros invertidos com os quais sua mente se identificava. Mudaram seus corpos de maneira a adaptar a aparência à psique.

Fernanda Gentil, jornalista que apresenta o Esporte Espetacular nasceu sob o sexo feminino e sempre se sentiu mulher. Nunca quis mudar seu corpo nem as roupas. Ainda assim, é homossexual e vive com outra mulher que, da mesma maneira, identifica-se com o gênero feminino. Outro exemplo são Daniela Mercury e sua esposa.

A ciência já entendeu que nem sempre a mente se entende com o corpo e que acontece com certa frequência essa espécie de “conflito” entre o gênero físico e o espiritual ou mental.

É necessário que as pessoas – assim como a ciência – aprendam a respeitar tal realidade. E compreendam a necessidade de se ensinar a todos, inclusive às crianças, que esse tipo de coisa é normal, que elas devem respeitar e compreender.

Fiquem tranquilos, ninguém vai ensinar menino a virar menina ou vice-versa. Se e quando acontecer, será obra da natureza e não haverá pai mandão ou religião fervorosa que evite.

Isso posto, posso dizer sem medo de errar que “ideologia de gênero” é uma expressão falsa, inexistente. O que existe de verdade é entender e respeitar aquilo que ciência e psicologia já nos explicaram à exaustão.

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