NÃO ME JUNTO A ESSA GENTALHA

Nicolas Maduro não é a Venezuela, assim como Jair Bolsonaro não é o Brasil.

O relacionamento entre dois países não segue a mesma lógica daquele entre pessoas físicas. Se Jair e Nicolas não se bicam, jamais se encontrarão para uma cerveja no calçadão de Copacabana. Por outro lado, Brasil e Venezuela não podem abrir mão de se falar.

O Itamaraty convidou e depois desconvidou o presidente do país vizinho para a posse do brasileiro, que se dará no primeiro dia do ano que vem. Nesse meio tempo, o (des)convidado disse que não aceitaria participar de festinha com aquele cidadão.

Na opinião de Jair, Nicolas não tem lugar num evento democrático. Por sua vez, Nicolas afirma que jamais presenciaria a posse de um fascista.

Ambos agiram como se fossem os proprietários das nações que governam. Parece que não compreenderam bem que o papel do Presidente da República é temporário e que as instituições são muito maiores do que qualquer governante, por maior que seja o seu ego.

Os dois vizinhos mantêm relação diplomática entre si. Há uma embaixada de cada um deles no território do outro, realizam trocas comerciais, permitem que seus cidadãos cruzem as fronteiras sem exigências extras. Por isso, o chilique de ambos os mandatários não faz o menor sentido, é feio e faz mal.

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