O GOVERNADOR QUE SÓ PENSA EM MATAR.

“Eu peguei ele no hospital quando ele nasceu e agora peguei ele no colo quando ele morreu.”, disse o homem que, dirigindo o ônibus a trabalho, viu o neto caído. Desceu, abraçou o corpo e ainda teve que ouvir dos policiais que se tratava de um traficante.  

Dyogo Costa tinha dezesseis anos e ia para o treino de futebol. Carregava uma mochila com sua chuteira e oitenta e cinco reais – valor dado pelo próprio avô.

Outras cinco pessoas inocentes morreram em menos de uma semana durante operações policiais no Rio de Janeiro. Nenhuma das vítimas tinha ligação com o crime. A maioria deles, jovens negros, o que me traz à lembrança a letra de Caetano:

“Quase todos pretos, ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres; e pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos”.

Questionado a respeito, o Governador do Rio de Janeiro proferiu uma sequência quase inacreditável de barbaridades. Coisa típica de conversa de botequim entre pessoas apaixonadas e desinformadas, falas incompatíveis com a posição por ele ocupada.

Wilson Witzel, diante do horror das mortes inocentes, vociferou que as ações não vão parar e que “quem enfrentar a polícia será morto”. Em outro momento afirmou acreditar, embora sem apresentar qualquer dado ou fato que corrobore sua crença, que as pessoas estão sendo mortas por traficantes, com o objetivo de causar caos.

Seu principal secretário, Cleiton Rodrigues, afirmou, com relação às mortes, que lamenta “essas e todas as outras que possam acontecer”.  

Ora, excelências, vamos aos pontos.

1 – Senhor Governador, os seis jovens pobres mortos esta semana não enfrentaram a polícia. Enfrentaram a desgraça de nascerem pobres num Estado que ignora suas responsabilidades. Ademais, o Poder Público não tem direito de matar quem o “enfrenta”, exceto em situações excepcionais.

2 – Ainda que tais cidadãos tiverem sido mortos por criminosos, isso em nada altera sua responsabilidade, Governador. O Estado tem a obrigação de proteger as pessoas contra qualquer tipo de bandido – seja bandido-bandido ou bandido-polícia. Que culpa tem o sujeito de morar numa área que o governo não tem competência para controlar?

3 – Senhor secretário Cleiton Rodrigues, mortes futuras estão nos seus planos? Não parece horrível que o senhor defenda uma política de combate que é inofensiva contra o crime e fatal para o cidadão inocente?

Governador Witzel, o senhor fala demais em morte, em “atirar na cabecinha”. O senhor estava dentro de um helicóptero que atirava a esmo contra pessoas em Angra dos Reis, filmou isso e divulgou com orgulho. O senhor é responsável direto por um Rio de Janeiro cuja criminalidade não diminui, o senhor é o chefe da polícia que mata jovens pobres a pretexto de proteger o povo.

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