ÔÔÔÔÔ.... BICHA !!!

Em meio a uma tormenta que vai muito além do conservadorismo, chegando ao fundamentalismo, é promissor que a gente veja o futebol se movimentando um pouco no sentido contrário.

A cena marcante durante o jogo Vasco x São Paulo disputado semana passada parece inaugurar novo momento. A sequência em que o árbitro Anderson Daronco determina, o treinador do Vasco pede e a torcida interrompe os gritos homofóbicos é marcante, constitui simbologia pra fazer cair a ficha de todos: não se aceita mais a homofobia. Comportamento desse tipo agora é inconcebível mesmo sob a forma de brincadeira ou “tradição”, conforme resmungam alguns.

- Ôôôôôôôôôôôô...... BICHA !

Esse é um dos cânticos homofóbicos mais populares nos estádios. Confesso que já gritei isso muitas vezes, além de outras diversas ofensas. E como é bom admitir isso até mesmo pra perceber que a gente aprende, revê, evolui.

O ambiente do futebol, desde a roda de torcedores até o vestiário, permanece machista, homofóbico, racista, grosseiro. Porém, importantes passos estão sendo dados no sentido da evolução.

A determinação da FIFA e, reflexivamente, da CBF em punir os clubes diante de atos homofóbicos de seus torcedores pode parecer forçada de barra, algo artificial. Afinal, é terrível que os clubes se mexam contra o preconceito inspirados apenas pelo medo de penalização.

Porém, pragmaticamente, é assim que funciona. Foi preciso estipular multas para que o cidadão se convencesse a usar equipamentos que salvam sua própria vida, como o cinto de segurança.

É bom que exista um pequeno oásis de progresso na selvageria da sociedade brasileira de 2019, especialmente no nicho do esporte.

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