POR FAVOR, CONTEM AO WITZEL.

Tenho a impressão que, sob desespero geral, popularizou-se o gosto pela postura de políticos que se fazem xerifes do velho oeste. Há que se anotar aqui um ponto importante: autoridade importantes do país têm utilizado filmes de Hollywood como exemplos e justificativas para suas estratégias.

Penso que Wilson Witzel tenha incorporado a personagem. Infelizmente sua imitação de justiceiro não ficou restrita à campanha eleitoral. Uma vez empossado, o governador do Rio de Janeiro transformou seu desejo pessoal de justiçamento em realidade.

Witzel vestiu capa, montou num helicóptero e sobrevoou áreas pobres do Estado para cumprir promessa de campanha: mirar na cabecinha.

Diante dos questionamentos, o governador saiu-se com essa: “não podem impedir a Polícia de trabalhar!”

Ora, Excelência, se seu conceito de trabalho da polícia é atirar a esmo em sobrevoos a favelas, talvez estejamos mesmo todos participando de um filme trash.

Partir do pressuposto de que em favela só mora bandido – como disse, por exemplo, um radialista de Divinópolis há poucos dias –, é preconceito puro, estúpido, criminoso. Determinar aos agentes da força policial que metam bala em quem considerarem suspeito é autorizar a barbárie, oficializar a desgraça, estatizar o genocídio.

Os países desenvolvidos já sabem e talvez fosse importante a gente contar pra pessoas como o governador Witzel: crime se combate com inteligência.

Fuzilar carro que carrega uma família a caminho de uma festa ou metralhar barraca que abriga evangélicos por acreditar que ali se reúnem traficantes não reduz a criminalidade. Parece óbvio, né? Mas o governador não sabe disso. Alguém conte a ele, por favor.

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