PRA ONDE VAI A ESQUERDA BRASILEIRA?

Ainda estou tentando entender o que os partidos políticos da esquerda brasileira estão querendo fazer. Se puderem, me ajudem.

Se a esquerda pretende recuperar o contato com o povo e ter chances nas próximas eleições, talvez não fosse muito inteligente manter certos hábitos como, por exemplo, sustentar coisas indefensáveis.

O PT parece usar as mesmas armas (opa!) da direita mais radical, qual seja, reforçar o contraponto. Ora, se Bolsonaro fala mal de Nicolas Maduro, então eu falo bem.

Nessa linha, Gleisi Hoffmann pegou um avião e foi à posse do presidente da Venezuela.

Abro parênteses pra explicar: acho que o Brasil deveria ter tido representante na posse pois, como já defendi nesta coluna, há que se diferenciar posição pessoal e relacionamento diplomático dos países.

Mas, não sendo Gleisi representante institucional do Brasil, a justificativa única para sua aparição é marcar posição contra o governo brasileiro.

Igualmente incompreensível é o presidente do PSOL, Juliano Medeiros, a uma altura dessas, crer na “inocência de Cesare Battisti”.

Não tenho dúvidas de que há, nas relações que o Brasil mantém, coisas igualmente ruins e até muito piores do que o presidente venezuelano e o famoso criminoso italiano. Arábia Saudita é só um exemplo de país que comete tudo quanto é tipo de barbaridade, violência e simplesmente desconhece o conceito de democracia mas, apesar disso, é recebida por aqui em tapetes vermelhos. 

Dar as mãos a Battisti ou a Nicolas Maduro parece-me a pior estratégia possível para a esquerda, a menos que a galera esteja totalmente cega.

 

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