QUEM NÃO QUER A CMPF DE VOLTA?

Vou falar baixinho pra ninguém ouvir: sou a favor de um imposto similar à CPMF.

Digo isso num momento importante em que o governo federal pretende encaminhar ao Parlamento a reforma tributária. Muita gente defende a ideia que aqui apresento embora a resistência seja enorme.

Demonizaram a CPMF. Hoje trata-se praticamente um palavrão. Arrepios percorrem os corpos das pessoas diante da maldita sigla. E por quê?

Pra começo de conversa, é natural que haja resistência a menções sobre criação de impostos num país que tributa muito proporcionalmente ao que entrega à população.

A rejeição ao originalmente chamado “imposto do cheque”, porém, tem outros fundamentos muito mais profundos. Tendo a acreditar que o maior motivo de ele ser tão odiado é o fato de ser dificilmente sonegável.

Abro parêntesis para uma provocação: os endinheirados do Brasil pagam pouco imposto. Diariamente falamos com empresários e profissionais liberais que sonegam tanto quanto podem. Não é difícil encontrar gente muito bem sucedida, donas de mansões e carros de luxo cujas declarações de imposto de renda mal superam o nível da isenção.

Afinal, quem pode sonegar um tributo que incide sobre a movimentação bancária? Quase ninguém, eu diria. Atualmente é muito difícil e inseguro movimentar dinheiro em espécie, especialmente volumes elevados. A economia informal passa a ser incluída no sistema tributário quando a alíquota atinge débitos e transferências em contas bancárias.

Proponho que façamos uma substituição simples. Saem x, y e z tributos a troco da CPMF. A carga tributária será reduzida, a sonegação ficará muito mais difícil e o coletivo ganhará.

Não é popular, mas é importante.

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