QUEM VEM LÁ DEPOIS DE NICOLAS MADURO

Sobre a Venezuela, me parece consenso que Nicolas Maduro não acomodará suas nádegas sobre a cadeira de presidente por longo tempo. Ele, que transformou o populismo de Hugo Chavez numa mal disfarçada ditadura, conseguiu fazer com que o mundo (quase) inteiro torcesse o nariz para as últimas eleições – uma farsa pura.

Quando digo que as pessoas já sacaram qual é a do Maduro estou incluindo grande parte da esquerda, exceto os que batem ponto junto com Gleise Hoffman e outros malucos por aí.

Estabelecida a consciência de que a crise venezuelana tem apelo global, é preciso fazer uso dos exemplos passados para alimentar as decisões e o planejamento da ordem internacional. Definido que Maduro não presta, a pergunta chave é: o que vai rolar depois dele?

Não precisamos ir longe. A Primavera Árabe deixou claro que substituir uma ditadura por outra não traz muitas vantagens para a população. Perguntem ao povo do Egito, caso duvidem de mim. Ou questionem aos iraquianos sobre a empreitada dos EUA para salvá-los de Saddam Hussein. Se Saddam era uma desgraça, o Iraque pós-invasão não virou nenhum paraíso.

Substituir o canalha de plantão normalmente atende aos interesses do invasor mas não resolve os problemas da população.

Que caia Maduro pela pressão da comunidade internacional – e não por força de ataques bélicos – e, principalmente, que não seja ele substituído por outro inimigo da democracia, seja de direita ou esquerda.

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