RICO SE DÁ BEM ATÉ NA BANDIDAGEM

Qual imagem vem à sua mente quando se fala de tráfico de drogas?

Duvido que não sejam cenas parecidas com as do filme “Cidade de Deus”: jovens negros se esgueirando em meio aos barracos, carregando armas pesadas e atacando inimigos.

É verdade que essa realidade faça parte do tráfico de drogas.

Acontece que a temática é muito mais complexa e o grosso do negócio não está nas mãos da molecada pobre que faz a vida como aviãozinho. O comando não pertence nem mesmo ao miserável que alcança poder e dinheiro como dono da boca.

Quando é que se viu notícia de apreensão de cento e dezessete fuzis numa favela?

Estamos cansados de ver operações nos morros com resultados de apreensão de meia dúzia de fuzis, algumas granadas e, claro, uns quilos de pó ou barras de erva proibida.

Mas 500 kg de cocaína eu nunca ouvi falar que foram encontrados em quintal de favelado. É exclusividade de quem paga pra danada passear de helicóptero. Coisa fina, meu irmão.

E mais de uma centena de fuzis também, até então, só ouvi falar que encontraram em condomínio de luxo.

Operação pra vasculhar mochila de criança favelada que está indo pra escola é vergonha enquanto a galera está voando por aí com o bagageiro cheio ou está mantendo arsenal bélico em casa de bacana à beira da praia.

O pobre é subjugado em todas os cenários sociais. Os presídios estão cheios de gente preta miserável enquanto os engomadinhos comandam tudo limpinhos, cheirosos e bem relacionados.

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