SEM ÁGUA, SEU BUMBUM VAI FICAR SUJO

É terrível que seja necessária uma desgraça para alertar tanta gente para os riscos ambientais.

Sob a atual atmosfera de extrema dualidade, muita gente acredita que defender o meio-ambiente é coisa da esquerda (da mesma forma que tantos esquerdistas pregam que qualquer tipo de privatização é malefício por ser pauta direitista).

Juro pra você – seja de esquerda, direita, pra cima ou pra baixo – que a proteção ao meio-ambiente deveria ser pauta de todo mundo. Afinal, papo de ecologia pode parecer furado mas vai muito além de defender mico-leão-dourado.

Proteção ambiental atinge, inclusive, seu direito de limpar o bumbum. Isso mesmo. A falta de água, uma das consequências da degradação ambiental, traz problemas desse tipo e outros muito mais sérios como a própria condição de sobrevivência humana.

Quando estoura uma barragem de dejetos de mineração todo mundo se emociona. Mesmo aqueles que defendem a “flexibilização” da legislação ambiental postam imagens sentimentais em suas redes sociais. Parece que não se tocam que as desgraças de Brumadinho e Mariana estão ligadas à exploração da natureza pelo homem e poderiam ser evitadas se governos dessem um pouco mais de atenção ao ativismo ambiental, esse ente tão demonizado no Brasil atual.

Proteger o meio-ambiente é condição básica para a nossa qualidade de vida e, ao fim, para a existência da vida. Relaxar fiscalização, proposta de Romeu Zema uns dias antes da desgraça, significa favorecer a bilionária máquina de fazer dinheiro a qualquer custo.

Os crimes de Samarco e Vale trouxeram sequelas que não têm preço. A morte de tanta gente e a violência ambiental não podem ser medidas na Bolsa de Valores.

Como é de hábito, a gente tenta arrancar algo de bom mesmo sob as piores condições. Tomara que esse novo mar de lama toque o coração dos insensíveis e, sobretudo, das autoridades brasileiras.

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