TRIBUTAREMOS A MARMITA DO MISERÁVEL

Convido vocês a responder rapidamente a um teste: o que você faria para resolver o problema das contas públicas brasileiras?

  • Reduziria benefícios paulatinamente, iniciando a partir das classes de alta renda;
  • Retiraria benefícios dos mais pobres em primeiro lugar. Não sendo suficiente, reduziria mais da baixa renda; em terceiro lugar ...

 

O Brasil em crise resolveu morder a aposentadoria dos mais pobres e – acreditem se puderem – tributar o desempregado. É isso mesmo, o privilegiado a quem calhar cair no “regime” do seguro desemprego pagará 7,5% ao INSS.

Não parece mais lógico que se iniciassem os cortes a partir de quem tem mais condições de cobrir o furo das contas públicas ao invés de cobrar o débito, sempre, do menos remediado?

Por que não tributar grandes fortunas? Por que não dificultar um pouco a transmissão de heranças, cobrando um pouco mais de impostos sobre essa facilidade anti-meritocrática? Por que  não fiscalizar melhor profissionais liberais super bem sucedidos e empresários bilionários que sonegam tanto quanto podem? Por que não reduzir os extraordinários benefícios das castas do Judiciário e Legislativo?

Sob o ponto de vista matemático, a lógica de cobrar do pobre ao invés de tomar do rico é estúpida. Ora, se é assim, então por que um governo tomaria tal decisão, se o caminho é mais doloroso?

O exemplo francês explica: se você tributa o rico, ele corre pra outro país, contrata bancas de advogados pra questionar a cobrança ou usa seu poder econômico como lobby pra modificar a legislação.

Já o pobre, coitado, só vive de contracheque a contracheque, torcendo pra sobreviver e dar o mínimo de condições aos filhos. Assim sendo, é incapaz de reagir à imposição estatal. Gasta tempo demais em busca de comida, sobrando nada pra se revoltar. 

Mesmo em toda a história brasileira de massacre contra os pobres e aumento constante da desigualdade social, até então ninguém havia tido coragem de tributar o desempregado.

Cara, tributar o desempregado!!!!

Esse miserável não recebe salário, então está isento de INSS e imposto de renda. Sob os favores da miséria, compra apenas o mínimo – portanto, paga pouco imposto.  Ferro nele, portanto.

O pobre é a vítima fácil, enquanto o rico e poderoso sempre escapa às garras do poder público.

É por isso que o pacote econômico recém-lançado preferiu avançar sobre a marmita do desempregado do que sobre o cofre do empresário sonegador.

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