TUDO OU NADA IDEOLÓGICO, UMA ESTUPIDEZ CAVALAR

Desde 2013 o binarismo político tomou conta do brasileiro. O radicalismo atingiu ponto realmente nobre. E nessa onda está inserido um processo de emburrecimento proposital pelo qual o membro de uma banda é obrigado a discordar de cem por cento das opiniões do outro lado.

Explico:

Atingimos um nível tal de intransigência que, se a pessoa é de direita, obrigatoriamente deve ser contra a proteção ambiental, demarcação de terras indígenas, princípios feministas etc. Caso o direitista resolva ser a favor das normas de defesa do meio-ambiente é automaticamente classificado como “comunista”.

Na mesma linha, se o sujeito de esquerda comete a audácia de, por exemplo, defender a privatização de estatais deficitárias, imediatamente recebe o selo de “coxinha”.

Ora, bolas, penso eu, ficar em cima do muro é uma situação tão cômoda quanto vergonhosa e sem méritos. Porém, ter que se conectar ou rejeitar obrigatoriamente qualquer ideia só porque um dos lados dela se apropriou me parece uma estupidez cavalar.

Por que cargas d’água o professante das ideologias à direta não pode concordar que é necessário proteger nossas nascentes, evitar o desmatamento e promover uma agropecuária cada vez mais sustentável ou defender que o Estado permaneça laico?

E por que diabos o discípulo das convicções de esquerda é proibido de acreditar que algumas privatizações são importantes e que o setor público está grande demais em alguns pontos?

Alinhamento automático é preguiça mental ou fanatismo. Ficar sempre no meio termo é alienação e falta de atitude. Questionar os próprios companheiros e ouvir a opinião alheia, ao contrário, denota avanço, inteligência, sabedoria. 

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