Afinando o tempo.

Segunda-feira, dia de ensaio do Coral Municipal, com o maestro José Carlos. Figura especial. Magro, simpático, alegre. Pouco corpo pra tanto talento. Artista de alma. Faz os falsetes das sopranos com perfeição, com uma potência avassaladora. De quebrar cristal. Consegue coordenar os naipes com maestria. Taí... foi daí que veio a palavra “maestro”.

maestria implica em não só fazer o que se sabe para produzir resultados, mas ir além, dominando os princípios subjacentes ao resultado”. E é assim que ele age, sempre além do esperado, dando os tons sem precisar tocar no piano, ajudando um naipe a cantar enquanto rege os outros, como se fosse um malabarista de pratos. Sempre fazendo girar o estímulo, a competência, a excelência.  

E se entusiasma. E nos entusiasma. E grava acompanhamentos para as apresentações. E faz arranjos, e compõe. E traz clássicos do mundo inteiro, em todas as línguas. Óperas, músicas sacras, domínio público, popular, gospel... De Puccini a John Lennon, de Luiz Gonzaga a Leonard Cohen, de Sebastian Bach a Ary Barroso. E ainda acha animação pra criar presépios, ornamentar igrejas e montar cenários de concertos.  

Tão ligado à música que, outro dia, perguntou se o nosso relógio estava “afinado” com o da Catedral. E nem percebeu o que disse. Afinar o tempo, ajustar a música, pintar a melodia, reger a imagem.  É tudo “farinha do mesmo saco”, como diria minha mãe. É tudo um jeito de dizer que a arte é uma só e várias. Que o tempo é o maestro delas e que o espaço é o caminho que Deus preparou pra nascer a criação. Obrigada, mestre!

 

Guiomar é jornalista e locutora do Vozes de Minas: www.vozesdeminas.com.br/guiomarcastro

 

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