Consciente ou inconscientemente?

“Você não pode destruir aquilo que não fez”. Essa foi a resposta do yogue Jaggi Vasudev à jovem que o perguntou sobre como poderia ajudar os amigos que pensam em tirar a própria vida. A conversa se deu numa conferência com alunos do Instituto Indiano de Tecnologia, em Délhi, com o sugestivo nome de Youth and Truth – Juventude e Verdade. 

Ele segue dizendo que todos nós somos seres efêmeros, como um pop-up que aparece na tela do nosso computador. E que se não “desfizermos os limites” da nossa individualidade, conscientemente, nos fechamos num casulo difícil de ser quebrado e a vida se torna uma luta entre você e o universo.

O que deveria ser uma interação, uma troca, uma relação harmônica torna-se uma guerra entre as infinitas possibilidades de vida e o seu “eu” aprisionado. Uma guerra impossível de ser vencida. Assim, tentamos quebrar essa barreira de maneiras inconscientes, para sobrevivermos. Através do amor, do sexo, das realizações profissionais. Mas tudo isso também é efêmero e qualquer fracasso nos coloca novamente dentro do casulo.

Por isso, a urgência em buscarmos interagir de forma consciente com o universo. E um dos caminhos mais competentes nesse sentido é o yoga. Essa prática milenar busca unir consciente e inconsciente, corpo, mente e espírito. E é realmente incrível o quanto é benéfica.

Eu acrescentaria aqui que as práticas religiosas também promovem esse intercâmbio com o universo. Talvez não de forma tão consciente como o yoga, mas tão profunda quanto. Cada religião tem seu canal de comunicação com o cosmos e, mesmo que os rituais pareçam sem sentido ou desnecessários, a mágica acontece. A quebra do casulo, a transcendência, a sensação vívida de que não somos seres feitos apenas de matéria. Ao contrário, a certeza de que ela – a matéria – é intrínseca à energia, à alma que os habita.

O guru ainda alerta que tudo é mutável, nada é definitivo: “Nunca forme uma opinião sobre alguém. Como ele está neste momento é o que importa. Como estará amanhã, veremos. O amanhã deve ser criado, não concretizado agora”.

O que podemos fazer é isso: ajudar, uns aos outros, a criar um amanhã mais sadio, mais positivo, mais verdadeiro.

Guiomar é jornalista e locutora do Vozes de Minas: www.vozesdeminas.com.br/guiomarcastro

© 2009-2019. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.