A lei do desapego por Kelli Nascimento

É característico do ser humano se apegar às coisas e às pessoas. Ter como hábito adotar determinado objeto desde bem pequeno e não conseguir se desfazer dele é mais comum do que se imagina. Muitas vezes se faz necessário.

Não nos apegamos a coisas e sim a símbolos. Uma mulher que se envergonha de ainda carregar e só dormir no seu travesseiro de infância ou um homem que nunca joga sua coleção de selos fora não estão apenas apegados aos artifícios.      Este apego o encaminha para um símbolo seja o cuidado materno que o travesseiro o remete ou o sentimento de completude que o fato de ter os selos, o faz sentir.

Segundo o psicólogo Willian Mac-Cormick Maron, as pessoas guardam os símbolos, os sentimentos e as memórias que estes artigos despertam, por isso muitas vezes estes objetos não são compreendidos pelos outros como coleções e peças de roupa.

“Podemos citar, como exemplo, uma criança que não larga seu pequeno cobertor na escola como aquele personagem de um determinado desenho animado. Aquele cobertor, por simbolizar o amor e cuidado materno ele substitui este cuidado por que sua mãe já não está mais ali, ou trabalhando ou fora. Estar com essa peça, lhe transmite segurança, cuidados.

Além de pertences, muitas pessoas têm como característica se apegar fortemente a outras pessoas, como familiares, amigos ou parceiros em relacionamentos amorosos.

Em alguns casos, a proximidade entre uma e outra é mais forte do que ela mesma imagina e esse grande sentimento pode trazer várias consequências sentimentais quando você se distancia dela.

O ser humano é uma construção. Tudo que traz sofrimento e prejuízo merece ser averiguado. É o que os especialistas dizem quando alguém pergunta sobre algum artifício no qual ele é apegado. Apego está ligado à posse. De tudo que possuo, que me remete a um sentimento, sensação ou lembrança, sinto ciúmes ou medo de perder.

De tudo que sinto ciúme me faço refém, me angustio e sofro. Desapego é amar o que não sente que é seu, não ter medo de perder o que você sabe que não é seu, como uma pessoa, por exemplo. É preciso se desprender.

Mas o que vem a ser o apego e o verdadeiro sentimento ao o ser humano está suscetível a apresentar? Seria amor, carência, segurança ou insegurança? De acordo com o especialista não é nada disso. “Amor não tem nada a ver com posse. Ou eu amo ou eu possuo. Tenho ciúme do que é meu, não necessariamente do que amo.

O apego pode ser muita coisa como o que foi citado, varia de caso a caso. Cada um se apega aquilo que lhe convém e por um motivo diferente, como um símbolo, um sintoma de algo que já não temos mais ou não desejamos perder e o projetamos em um objeto ou pessoa”.

Para mudar esse quadro é preciso haver uma educação desde a infância. Cabe à escola – que além de cumprir seu papel fundamental, o de ensinar – e também aos pais saber trabalhar a relação do apego e desapego.

“Educar também engloba isso. Mas acho que o trabalho é conjunto, pois não adianta construir algo na escola que será desconstruído em casa. Fica um jogo de empurra empurra. O desapego é muito importante para o brincar. Brincar significa criar vínculos. Hoje não vejo crianças brincando e sim tendo o brinquedo. Que são coisas diferentes”.

        Consultório avª1º de Junho nº 420, Edifício Paulo VI, sala 802, 8º andar.

Tel: 98811 2388

 

© 2009-2017. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.