A razão das úlceras

Uma bactéria que dá bastante trabalho é o Helicobacter Pilori, envolvida na doença infecciosa mais comum no mundo depois da cárie dental: a úlcera. No estômago ou no duodeno, as úlceras causadas pelo excesso de ácido clorídrico. Para se ter uma ideia do potencial destruidor deste preparado orgânico, basta saber que ele é capaz de dissolver o ferro.

         A forma que a natureza encontrou de abrigar uma secreção tão perigosa quanto o suco gástrico no estômago foi prover o órgão de uma produção bem maior de muco em suas paredes. O muco é um líquido espesso produzido pelas glândulas do sistema gastrintestinal que recobre internamente todo o tubo digestivo para protegê-lo e facilitar a passagem dos alimentos.

         Em condições normais, o muco protege bem o estômago e o duodeno da extrema acidez do suco gástrico, que é composto de enzimas e do ácido clorídrico. Mas basta uma pequena falha para que este ácido quebre a barreira protetora e atinja a mucosa, provocando as úlceras, que são como feridas difíceis de cicatrizar.

         Antigamente acreditava-se que as úlceras eram consequência do estresse. De fato, os corticoides, cuja secreção aumenta diante do estresse, ativam a produção do ácido clorídrico. Dessa forma, as úlceras eram vistas como doenças psicossomáticas, e o que se recomendava aos pacientes, além de evitar alimentos ácidos, era o divã do analista. Mas a verdade é que nenhum tratamento com esse enfoque conseguiu aliviar os problemas dos que sofriam de úlcera.

         Até que alguns cientistas perceberam que a bactéria presente nas lesões ulcerosas era sempre a mesma, o Helicobacter pilori. Logo se perguntaram por que apenas ela, e não outras, proliferava naquele tecido, já que até então se acreditava que as bactérias chegavam depois que as feridas já estavam desenvolvidas. As pesquisas foram avançando até que foi comprovada a decisiva participação do Helicobacter pilori nas úlceras. Hoje, o estresse e a ansiedade não são vistos como causas das úlceras e sim como consequências delas.

          O helicobacter é um dos poucos microorganismos que conseguem sobreviver no ambiente excessivamente ácido do estômago e certamente sua atuação se dá sobre a gastrina, um hormônio que aumenta a formação do ácido clorídrico. Hoje, a úlcera também é reconhecida como um distúrbio muito ligado á deficiência de antioxidantes e a imunidade, pois quem tem uma alimentação pobre em antioxidantes tem mais tendência a infecção pelo Helicobacter.

         Além de muita dor, a úlcera pode causar sangramentos na cavidade intestinal e até perfuração do órgão. Quando não se conhecia o envolvimento do Helicobacter, quem tinha úlcera vivia de dieta e os casos mais graves precisavam ser operados. Também se usava dar muito leite para diminuir as dores causadas pela úlcera, o que hoje se sabe ser inócuo. O leite de fato alivia a dor, mas o efeito é apenas momentâneo, pois a bebida acaba aumentando a secreção de ácido clorídrico, fazendo com que a dor volte.

         Depois que o envolvimento do Helicobacter foi confirmado na úlcera, até os diagnósticos ficaram mais simples. Em vez de endoscopias, o problema pode ser diagnosticado com exames de sangue, onde se pesquisa a presença de anticorpos para a bactéria.

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EVENTO:

Palestra: relacionamento conjugal e separação

Dia:27/09/2017

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