A influência da mídia no comportamento social

A crise no sistema penal brasileiro, agravada pela crise do judiciário, produz uma sensação de impunidade, que faz com que os cidadãos clamem cada vez mais por justiça. Oportunamente, a mídia tendenciosa e o jornalismo justiceiro ultrapassam os limites legais, do respeito ao próximo e dos direitos humanos, atuando como se fossem instituições inalcançáveis pela lei, e, por vezes, até mesmo como se fossem a lei, para denunciar, julgar e condenar. A execução fica por conta do povo. Uma justiça criminosa.

Nesse ínterim, observa-se que as garantias processuais e os direitos do ser humano acabam por ser observados somente para um segmento da população, como os criminosos de colarinho branco, inacessíveis ao julgamento e execução do povo que, por sua vez, descarrega todo o sentimento de inconformidade promovendo linchamentos de pessoas acusadas e condenadas pela comoção social e pela mídia.

A partir dessa perspectiva, questiona-se, qual é o grau de influência que o jornalismo justiceiro exerce na vida das pessoas? Mais do que isso, qual é o impacto da notícia veiculada de forma errônea, com caráter manipulador e sob o falso exercício da liberdade de expressão na vida das pessoas, bem como, quais direitos fundamentais lhes são feridos e quais as consequências que isso pode representar na vida de um ser humano? Ainda, há preocupação com a reparação do dano causado e, havendo, seria possível restaurar o bem maculado?

Analisando a mídia atual, é possível observar uma crescente sensacionalização dos noticiários, uma espetacularização da notícia aos moldes do que a cultura do espetáculo exige; as notícias passam a ser importantes ou secundárias, sobretudo, e às vezes exclusivamente, não tanto por sua significação econômica, política, cultural e social, quanto por seu caráter novidadeiro, surpreendente, insólito, escandaloso e espetacular.

A partir dessa realidade, percebe-se que, além da estigmatização do indivíduo, muitos direitos e garantias individuais têm sido frequentemente violados, destacando-se a violação da imagem, da honra, da presunção de inocência, da dignidade da pessoa humana, do contraditório e da ampla defesa, direitos previstos constitucionalmente e até mesmo na Declaração Universal dos Direitos do Homem e no Pacto de San José da Costa Rica, que preveem que “ninguém será considerado culpado antes do trânsito em julgado da sentença penal condenatória”.

Portanto, fica evidente que o debate acerca dos direitos humanos, do sistema penal e da influência da mídia na formação da opinião pública é de suma importância, tendo em vista que boa parte da população resiste em reconhecer a importância dos direitos humanos como construção coletiva de uma sociedade que precisa agir e enxergar um caminho cidadão. A luta pela mudança de paradigmas e pela conscientização dos indivíduos, visando uma sociedade que respeite o homem enquanto ser dotado de direitos, fundamentais e humanos, é uma luta que merece ser defendida.

 

 

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