Imprensa, Manipulação e Poder

Nossa Constituição Federal garante e assegura três poderes que reger o país: o Legislativo que é preparado e capacitado para criar as leis; o executivo que tem a função de executar as leis indicadas e aprovadas pelo Legislativo; o Judiciário que exerce a fiscalização do cumprimento dessas leis. E um quarto poder que formula ideologias em defesa de seus interesses e determina a agenda nacional. Não consta na Carta Magna, mas possui características tão parecidas quanto as que compõem o governo de nossa nação, por formar, conduzir e dominar a opinião pública.

 

Trata-se da imprensa, os veículos de comunicação que exercem o jornalismo e outras funções de comunicação informativa e de entretenimento, as quais sempre couberam um papel de destaque, atuando quase de forma invisível, mas predominantemente influenciando nas ações de comportamento e decisões da sociedade, extrapolando, em muitos momentos, sua principal função de bem informar, de forma isenta, a população.

Ao produzir a versão dos fatos, por exemplo, o repórter ou “Newsmarketing”, na teoria jornalística, as agências de notícias selecionam e repassam esse conteúdo para os jornais, que o modifica obedecendo a interesses dos controladores e as mudanças propostas pelos redatores, o “gatekeeper”.

Quando as notícias são veiculadas, há uma tentativa de influenciar o pensamento do telespectador, através da “Agenda Stting”, que aponta quais temas serão considerados de interesse coletivo, colocando no esquecimento outros não veiculados, ainda que sejam relevantes para a sociedade, calando aqueles que, por medo de perder o convívio social, não se manifestam e se aproximam mais das opiniões que consideram dominantes, chamada pela estudiosa alemã Elizabeth Noelle-Neumann de teoria da “Espiral do Silêncio”.

Assim o fez em 1965, com José Sarney, no Maranhão, quando o estado ocupava as últimas posições no índice de desenvolvimento e, mesmo assim, venceu dez eleições para governador. Fernando Collor de Melo também fora agraciado com o favorecimento da mídia, em 1968, nas Alagoas, ganhando notoriedade como o jovem promissor no combate aos “marajás”, funcionários públicos acusados de receberem salários exagerados.

Nas eleições diretas para presidente, em 1989, houve outro posicionamento claríssimo de todos os meios de comunicação a favor de Collor e em oposição a Luiz Inácio Lula da Silva. A falta de informação da população que votava após anos de ditadura militar, dava a segurança de que seus direitos e interesses estavam sendo defendidos, o que facilitou o controle das decisões.

 

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