Linguagem, Pensamento e Percepção

A comunicação, além de ser intra-pessoal pode ser interpessoal, grupal e de massa. Na comunicação interpessoal há uma troca de mensagens entre duas ou mais pessoas, que trocam entre si as funções de emissor e de receptor das mensagens. Embora essa permuta de papéis não ocorra obrigatoriamente, pois um dos interlocutores pode ouvir calado, ela é possível, dada a proximidade física (real ou intermediada por instrumentos como o telefone) dos interlocutores. Na comunicação grupal, também há um contato direto entre emissor e receptores da mensagem, mas estes são mais numerosos, de modo que tende a haver uma menor quantidade de troca de papéis. É a situação de uma aula ou de um espetáculo de teatro. O que distingue a comunicação grupal da comunicação de massa, é justamente essa possibilidade de que o receptor da mensagem se torne emissor de uma resposta, chamada de feed back ou retroalimentação pela teoria da comunicação. Na comunicação de massa, ao contrário, a via é de mão única. O telespectador, o leitor de um livro, jornal ou revista, quem observa um cartaz na rua, não podem se comunicar com o emissor daquela mensagem, utilizando-se do mesmo meio de comunicação através do qual estão recebendo a mensagem. Para tal precisam recorrer a outro meio, por exemplo, o telefone, uma carta etc.. Nos estudos referentes à relação entre o desenvolvimento do pensamento e a linguagem, interessam-nos especialmente os dois primeiros tipos de comunicação: a interpessoal, que o bebê terá com sua mãe e com os que o cercam na primeira infância e a intrapessoal.

Quando dentro do universo da linguagem verbal, a linguagem simbólica costuma ser classificada a partir dos recursos utilizados em cada segmento do texto: alegoria, metafóra, metonímia, parábola, hipérpole, personificação etc.. Esta lista, contudo, não dá conta de explicar a linguagem simbólica, pois os símbolos possuem uma grande carga emocional, eles ultrapassam as fronteiras do racional. E aí se encontra sua especificidade, pois permitem a expressão de realidades humanas que não podem ser comunicadas pela linguagem referencial. É importante a relação entre a estrutura da linguagem poética e da obra de arte em geral e o símbolo, embora um não possa ser usado como sinônimo do outro. Mesmo porque, o símbolo pode ser usado em mensagem que não sejam artísticas. Esse uso, contudo, tende a desgastá-lo, esvaziá-lo de sua riqueza, na medida em que procura limitar seus significados. Já a linguagem poética tende a criar permanentemente novos símbolos.

Existe, pois, uma relação direta entre a experiência concreta e a organização do pensamento. Entretanto, não se trata de um contato direto e único. Os grupos sociais organizam sua experiência em forma de conhecimento com a finalidade de preservação da vida. Entretanto, essa experiência, ao organizar-se utiliza-se da mediação da linguagem, e, de certo modo, cristaliza-se, de maneira que, as novas experiências tendem a ser organizadas de acordo com os padrões pré-estabelecidos. A mudança desses padrões é um processo longo e cheio de atritos.

Por que organizamos nossa percepção desse modo? Porque a realidade é caótica e pouco significativa, a menos que seja filtrada e organizada pelo observador. Assim sendo, na dimensão da práxis vital, o homem cognoscente desenvolve, para existir e sobreviver, mecanismos não-verbais de diferenciação e de identificação: dentro do próprio grupo social a que pertence, o indivíduo estabelece e articula traços de diferenciação e de identificação. A partir deste é que ele se torna capaz de discriminar, reconhecer e selecionar, por entre os estímulos do universo amorfo e contínuo do “real”, as cores, as formas, as funções, os espaços e tempos necessários à sua sobrevivência.

 

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