A despedida

Aquela foi uma hora terrível. Minha irmã Jane pediu que eu assenta-se. E me disse: “O Oliver morreu. O avião que ele pilotava explodiu ao aterrissar”. Meu filho de 39 anos desapareceu de uma hora para outra. Senti profunda tristeza e um enorme vazio no coração. Era a manhã do dia 26 de novembro de 2018, uma segunda-feira. Pessoa cheia de vida, ainda tinha muitos sonhos a realizar. Deixava dois filhos, Pedro de 5 anos, e Mariana de 3. Pai dedicado, além de curtir os filhos, amava pilotar e pedalar. Tinha muitos amigos.

De repente, eu tive de encarar a morte, assentado ao lado do caixão lacrado do meu querido filho. Cada amigo, cada parente, que chegava com lágrimas nos olhos e me abraçava reabria a ferida aberta no mais fundo do meu ser. Assim foi nos velórios em Belo Horizonte e em Divinópolis, onde aconteceu o enterro. Sete dias depois veio a agonia da missa, com mais lágrimas e mais abraços.

Como manter-me de pé? Orando e vivendo um dia de cada vez. Não tive questionamentos. Não perguntei ao Pai porque ele foi colhido tão cedo. Apenas peguei o meu pequeno terço de dedo e passei a recitar as orações da Misericórdia Divina sem cessar. No lugar dos Pai Nossos, eu orava “Eterno Pai, eu vos ofereço o corpo e o sangue, a alma e a divindade do vosso diletíssimo filho Nosso Senhor Jesus Cristo, pela remissão dos nossos pecados, e dos do mundo inteiro”, e no lugar da Ave Marias: “Pela sua dolorosa paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro”. Assim foi durante os velórios e durante a missa.

Fui inundado pela Misericórdia Divina que me sustentou e aliviou a minha dor nos primeiros dias e ainda continua me sustentando e aliviando. Lembrei-me do momento em que Maria Santíssima recebeu o corpo de Jesus dilacerado. Acolheu-o em seus braços e aceitou a vontade do Pai. Em uma de suas mensagens em Piedade dos Gerais, no Vale da Imaculada Conceição, ela nos fez uma revelação importante. Nossa Senhora nos disse que só conseguiu suportar a dor da paixão de seu filho porque durante o seu suplício manteve seu pensamento em Deus. Eu também me uni ao Pai, rezando o terço da Misericórdia Divina, sem lhe perguntar porque eu tinha de passar por aquela dolorosa perda.

Não parei de escutar em minha mente a voz do Oliver: “Pai, eu estou bem. Não se preocupe”. Ele sempre foi um eterno otimista. Mesmo enfrentando desafios conseguia manter o equilíbrio e seguir em frente, com a certeza de que iria vencer. Aquela era sem dúvida uma prova colossal: ver-se de repente sem um corpo físico. Mesmo assim, eu senti que ele me consolava. Estava me ajudando a encarar a dor. E, houve também o momento em que Marilda Santana, a porta-voz de Nossa Senhora, nos disse no velório que tinha já visto o Oliver nos braços de Nossa Mãe Santíssima.

Foi assim que me despedi do meu filho mais velho. Penso nele, muito vivo, no Céu. Já na companhia dos meus pais, Acácio e Salma, e de minha irmã Cibele, que faleceu em 2012, vítima de câncer. Em visita ao Carmelo de Divinópolis, uma das freiras me disse: “O senhor devia estar feliz por ter um filho no Céu!”. De fato, a minha fé inabalável em Deus e em sua Infinita Misericórdia, me garante que Oliver não morreu, mas que—após uma breve passagem pela Terra—nasceu para a Vida Eterna!

 

 

 

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