Como envelhecer bem

Com 105 anos de idade, o padre polonês Ladislau Klinicki, da paróquia Santa Teresinha, em São Paulo, é um exemplo de pessoa que envelheceu bem. Não teve vida fácil. Antes de completar 30 anos—durante a II Guerra Mundial—foi mantido prisioneiro em campos de concentração nazista por 5 anos. Veio para o Brasil em 1968 e exerceu atividade pastoral em algumas cidades do interior de São Paulo. Depois foi para a Comunidade Santa Teresinha na capital do estado. Hoje em dia, apesar de ter a visão e a audição reduzidas, mantem a sua lucidez. Algumas pessoas da comunidade dizem que sua saúde é melhor do que a de outros padres mais jovens. Padre Klinicki precisa apenas de meio comprimido por dia para controlar a pressão. Continua ativo, rezando, atendendo confissões e distribuindo seus livros. Devoto da Divina Misericórdia, costuma repetir a seguinte frase do Diário de Santa Faustina (também polonesa): “Eu lhes salvarei, quando vocês julgarem que tudo está perdido” (Parágrafo 1448).

Atualmente existem no mundo cerca de 600 milhões de pessoas com 60 anos ou mais. Até 2025 esse número duplicará. E, em 2050, chegará aos 2 bilhões, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, as últimas pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a expectativa de vida aqui é de 74 anos.

De fato, estamos vivendo mais. Mas, será que estamos vivendo melhor? Para termos uma boa qualidade de vida, enquanto avançamos em idade, precisamos atuar em duas áreas: em nosso estilo de vida e em nosso estado mental. O estilo de vida está ligado à alimentação saudável, a uma boa qualidade da água e do ar, e ao exercício físico regular. Essas dimensões do bem estar já têm sido amplamente divulgadas. Portanto, gostaria de enfatizar a importância de investirmos também em nosso estado mental, que é influenciado pelo nosso objetivo de vida, pelas pessoas que nos rodeiam, pelas leituras que fazemos e pela mídia que assistimos:

Objetivo de vida. Pesquisas realizadas com pessoas que estão vivendo muito e bem mostram que elas—mesmo com idade avançada—têm um sentido bem definido para suas vidas. Muitas vezes o sentido é encontrado através de um aprofundamento espiritual. Por exemplo, o padre Klinicki—apesar de seus 105 anos—continua com o firme propósito de levar almas para o Céu, rezando, atendendo confissões e distribuindo livros.

Pessoas que nos rodeiam. Devemos evitar os vampiros emocionais. Há pessoas que—suas simples presenças—sugam as nossas energias. Tão cheias de preocupações, medos e pensamentos negativos, que, por onde quer que elas passem, contaminam o ambiente. Por isso, é importante escolher bem os ambientes que frequentamos e as pessoas com as quais convivemos. É fundamental cultivar bons relacionamentos dentro e fora da família.

Leituras que fazemos. Exercitamos nosso cérebro através de boas leituras. Mesmo tendo a tentação de permanecer longos períodos no Whatsapp ou no Facebook, é importante abrirmos espaço para a leitura, que ativa nossa imaginação e nossa memória. E, para ativar ainda mais o cérebro, podemos cultivar o hábito de escrever, mesmo que seja um diário pessoal.

Mídia que assistimos. Televisão, internet e vídeos em geral também influenciam o nosso estado mental. É preciso escolher com critério o que vamos assistir. Tenho familiares que costumam ver filmes violentos à noite, depois do jantar. As cenas de agressão vivenciadas na tela, possivelmente irão ter efeito negativo na qualidade do sono. E o bom sono é fundamental para mantermos um bom estado mental. Por isso, antes de deitarmos é importante alimentar o nosso cérebro com imagens positivas e cenas tranquilizantes.

Resumindo: a arte de envelhecer bem—além de desfrutarmos de um estilo de vida saudável—também inclui ter um sentido para a vida, cultivar bons relacionamentos, apreciar boas leituras e selecionar com critério as coisas que assistimos. 

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