Da tragédia ao triunfo.

 

Algumas pessoas se acidentam, perdem parte de sua mobilidade, sofrem, mas não desistem da vida. Pelo contrário, chegam a afirmar que, com o acidente no qual quase perderam a vida, aprenderam algo importante: como—apesar de tudo—ser feliz! Viktor Frankl, psicólogo e psiquiatra, nascido em Viena, Áustria, em 1905, tinha um interesse incomum pelo sentido da vida. Mas, durante a II Guerra Mundial, os planos de publicar suas ideias sobre o assunto foram brutalmente interrompidos. Ele foi jogado em campos de concentração nazistas onde permaneceu por 3 anos. Conseguiu sair com vida. Mais ainda, transformou aquela tragédia em um triunfo para a psicologia ao propor uma nova forma de pensar o viver.  

De acordo com Frankl cada situação da existência representa um desafio e um problema a ser solucionado.  Em vez de nos perguntarmos pelo sentido da vida, devemos fazer a pergunta oposta, ou seja: “o que é que a vida espera de mim?”. Devemos reconhecer que somos nós que estamos sendo perguntados a cada momento e que somente nós podemos responder a essa pergunta. Ao respondê-la a pessoa se torna responsável pela sua vida. O fato de sermos responsáveis é a essência do ser. Temos de ter consciência do propósito daquilo que estamos fazendo da nossa vida e de nós mesmos. Cada pessoa é responsável, pois tem de escolher pelo que ou por quem se sente responsável. Essa liberdade de resposta está sempre em nossas próprias mãos.

O verdadeiro sentido da vida deve ser encontrado fora e não dentro da pessoa. A isso Frankl deu o nome de autotranscedência. Precisamos sair de nós e encontrarmos fora o “para que” de nossas vidas. Para ele “Não importa o que esperamos da vida, mas sim, o que a vida espera de nós. Portanto, o nosso viver é composto das respostas que damos às perguntas que a vida nos faz. A cada instante temos uma tarefa para realizar. Sendo assim, o sentido da vida muda de pessoa para pessoa, de momento a momento. A vida para cada um é algo concreto, único”.

Uma vez escolhido o “para que”—ou “a pessoa para quem” iremos viver—conseguimos encarrar quase qualquer como. O caminho a percorrer para atingir o nosso propósito torna-se algo mais leve na proporção da clareza e firmeza que temos a respeito de nossa meta. No meu caso, estou sempre procurando por sentido para tudo que faço. Às vezes sou tentado a passear longamente pelo facebook, ou perder-me pelos caminhos do “zap-zap”, mas logo me lembro de que posso escolher por fazer algo mais produtivo, como por exemplo, escrever um artigo, dar início a um novo livro, ou sair para uma caminhada.

Algo que tem me ajudado a refletir sobre o sentido da vida é o auto distanciamento. Posso realizar isso ao deslocar-me para outra cidade, ou também me distanciando mentalmente das questões a serem resolvidas no cotidiano. Durante uma viagem que fiz a Goiânia surgiu a ideia de escrever este artigo, assim como a possibilidade de expandir essas reflexões em um livro. Aumentou o meu interesse por analisar os meus movimentos internos, isto é, identificar as atitudes e ações que produzem bem estar e gratidão. O distanciamento estimulou a vontade de escrever sobre o processo de simplificar o meu viver, transformando desafios em vitórias, dores em alegrias, sofrimentos em aprendizados, perdas em crescimento.

 

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