Noite Feliz!

“Dorme em paz, oh Jesus... dorme em paz, oh Jesus... “ ainda hoje escuto a voz forte de papai, na missa do galo, na catedral de Divinópolis, cantando “Noite Feliz!”. Eu criança de mãos dadas com ele e minha irmã Jane de mãos dadas com mamãe. A partir daí, quase todas as vezes que escuto essa canção, volta para mim essa doce lembrança.

Exatamente hoje, dia 24 de dezembro de 2018, “Noite Feliz” (“Stille Nacht”) completa 200 anos. Na pequena capela de São Nicolau, em Oberndorf, na Áustria, durante a missa do galo, estavam o pároco padre Joseph Mohr e o músico e compositor Franz Xaver Gruber com seu violão e o minúsculo coro da aldeia. Ao final de cada estrofe, o coro repetia os dois versos finais. Naquele dia 24 de dezembro de 1818 foi apresentada ao mundo pela primeira vez a música que tornou-se o hino oficial do Natal.

Naquele dia, o Padre Mohr estava preocupado porque o órgão da igreja estava estragado—os foles foram roídos pelos ratos. A cantata de Natal poderia ser um total fiasco. O sacerdote, então, saiu à procura de seu amigo, o músico Franz Xaver Gruber. Mohr havia escrito um poema de Natal dois anos antes e precisava que Gruber criasse a melodia. Ao ver a letra, o compositor, animou-se a musicá-la, pois era simples e a melodia teria de ser fácil para que os fiéis aprendessem rapidamente a cantá-la. Havia um detalhe, porém, a canção teria de ser tocada em violão e flauta, pois o órgão estava estragado.

À noite, Gruber chegou à capela com o violão, reuniu o coral para ensaiarem a música improvisada. Naquele Natal de 1818, naquela simples capela, os paroquianos cantaram, pela primeira vez, a melodia que viria a tornar-se a canção de Natal mais conhecida de todo o globo. Novos arranjos foram feitos pelo compositor antes de sua morte em 1863. Em 1845 surgiu uma adaptação para orquestra, e, em 1855, um arranjo para órgão. E, em 1900, “Noite Feliz” já era mundialmente conhecida.

Como foi que uma música tão simples se espalhou pelo mundo? O técnico que foi concertar o órgão tinha escutado a história e pediu que lhe tocassem a canção. Ficou tão encantado com a música que passou a repeti-la por todas paróquias por onde passava.

Assim como a história do cristianismo começou em uma pequena gruta em Belém, a música que celebra essa ocasião também se originou em um lugar simples, despretensioso. Foi um belo presente de Natal para a humanidade. A capela não existe mais. Foi demolida no começo do século passado porque—estando ao lado do rio Salzach—era constantemente alagada. Para substitui-la, foi erguida na década de 1920, em um lugar mais elevado, a Capela Memorial da Noite Silenciosa, que, apesar de comportar apenas 20 pessoas por vez, recebe para a missa de Natal cerca de 7 mil peregrinos.

Noite feliz, noite feliz
Ó senhor, Deus de amor
Pobrezinho nasceu em Belém
Eis na lapa, Jesus nosso bem
Dorme em paz, ó Jesus
Dorme em paz, ó Jesus

Noite feliz, noite feliz
Eis que no ar vem cantar
Aos pastores os anjos dos céus
Anunciando a chegada de Deus
De Jesus, Salvador!
De Jesus, Salvador!

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