O contentamento

Jesus disse a seus discípulos: “Não andem ansiosos pela vida de vocês, quanto ao que haverão de comer, nem pelo seu corpo, quanto ao que haverão de vestir. Porque a vida é mais do que o alimento, e o corpo mais do que as vestes. Observem os corvos, os quais não semeiam nem ceifam, não têm despensas nem celeiros, no entanto Deus os sustenta. Quanto mais vocês valem do que as aves! Qual de vocês, por ansiosos que estejam, pode acrescentar mais tempo à sua vida? Se, portanto, vocês não podem fazer nada quanto às mínimas coisas, por que andam ansiosos pelas outras? Observem os lírios, eles não fiam nem tecem. Eu, contudo, afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória se vestiu como um deles. Ora, se Deus veste assim a erva que hoje está no campo e amanhã é lançada no forno, quanto mais tratando-se de vocês, pessoas de pouca fé” (Lucas 12, 22-28).

Na prisão o apóstolo Paulo escreveu o seguinte: “...aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4.11-13).

Jesus nos exorta a combater a ansiedade com a confiança na providência divina. E Paulo nos convida a viver contentes em qualquer situação, seja de fartura ou de penúria. Como conseguir isso nos tempos atuais, em que diariamente enfrentamos tantos desafios, desde os problemas no trânsito—passando pelas doenças, perdas e brigas em família—até os grandes conflitos entre as nações? Como conquistar a paz interior em um mundo caótico?

Através da fé no Criador. Aquele que nos criou, também está no controle de todas as coisas. E como conquistar essa fé? Através da nossa entrega a Jesus pela oração constante. Clarence Enzler, em sua obra Cristo, minha vida (Edições Paulinas, 2010), nos sugere a seguinte oração a Jesus: “Você é o Cristo, o Filho de Deus vivo; e também meu irmão. Não posso ver nem sentir a sua presença, porém lhe peço isto: Que eu me sinta feliz por viver somente de fé!”.

Enzler nos oferece o exemplo de Maria de Betânia, que, ao contrário da agitação de sua irmã Marta, ficou sentada junto a Jesus, ouvindo suas palavras, na tranqüilidade, no silêncio, no repouso. Enquanto isso Jesus advertiu Marta: “Marta, Marta, você está preocupada e inquieta com tantas coisas; no entanto, uma apenas é necessária. Maria escolheu a melhor parte, e essa não lhe será tirada” (Lucas 10, 41-42).

Marta se agitava com razão, pois o Mestre dos mestres, o Divino Jesus, as visitava e ela queria lhe dar a melhor acolhida possível. Mas não é essa acolhida que Jesus quer de nós. Pelo contrário, ele deseja que o acolhamos com o nosso coração, com a nossa oração, que pode ser feita com palavras, ou simplesmente com a confiança silenciosa de Maria.

Foi por isso que ele disse: “Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas as demais coisas lhes serão acrescentadas. Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará os seus próprios cuidados. Basta a cada dia o seu cuidado!” (Mateus 6, 33-34)

 

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