Ômar Souki 28 de Junho

Superação contínua

Ômar Souki
 
Após uma noite de chuva, o dia amanheceu exuberante. O sol se manifestou com vontade, dissipando os últimos resquícios da chuva. A natureza se despertou em festa: pássaros cantando e bailando no ar e periquitos em grupo fazendo tremenda algazarra. Era um daqueles dias em que se tem tudo para ser feliz, em que se tem tudo para se agradecer e louvar ao Criador. Mas, em vez disso, amanheci desanimado. Sem razão aparente, não foi fácil abandonar o aconchego da cama. Olhava para os pássaros e me perguntava: “De onde é que sai tanto entusiasmo, tanta alegria?”. Contemplava a vibração de meu filho de 8 anos ao sair saltitante para a escola e indagava: “De onde esse menino consegue tirar tanto entusiasmo?”. Você já teve um dia assim? Em que está tudo bem, mas você não está?

É justamente nessas ocasiões que precisamos de uma dose extra de superação. Encontrei-a lendo a história de Paulo Henrique de Carvalho, um leitor de São Lourenço, estância hidromineral do Sul de Minas. Paulo teve um acidente de motocicleta no qual sofreu traumatismo craniano. Isso fez com que sua cabeça se inchasse e começasse a pressionar o cérebro causando hipertensão intracraniana. Os médicos então decidiram remover parte de sua calota craniana, reduzindo a pressão sobre o cérebro—e mantê-lo assim, até que a cabeça desinchasse. Ela só voltaria ao normal em aproximadamente um mês. Onde, então, preservar a calota craniana de Paulo? Foi feita outra cirurgia e a calota foi colocada no seu próprio abdômen, onde ficaria até que a cabeça desinchasse. Paulo foi para casa onde ficou por um mês, dependendo 24 horas por dia dos cuidados de sua esposa Gislene. Imaginem a situação: ele não podia mais trabalhar e, além disso, estava também impedindo que sua esposa pudesse trazer o sustento para o lar.

Um quadro desses poderia representar o desespero para a maioria das pessoas, mas Paulo reagiu positivamente. Ele relatou que a única coisa que podia fazer era acreditar, e isso ele fez. Em vez de se lamentar e deprimir, em suas próprias palavras: “Encarei o acidente como uma dádiva de Deus e parti para a segunda cirurgia sentindo Cristo ao meu lado”. A operação da retirada da calota craniana de seu próprio abdômen e reconstrução de sua cabeça foi um sucesso. Depois que saiu do hospital continuou o tratamento com plena confiança, pois: “Deus tinha feito a parte Dele e eu queria fazer a minha da melhor maneira possível”.

A recuperação de Paulo foi surpreendente. O acidente aconteceu em janeiro de 2008 e, em novembro, ele já estava participando de uma de minhas palestras em sua cidade. Foi quando tomei conhecimento do que havia ocorrido. Concluiu seu depoimento com as seguintes palavras: “Gislene e eu estamos aprendendo a olhar para a vida sob um novo prisma, sentindo que mesmo em meio à tempestade é possível existir beleza, estar em paz consigo mesmo”.

Esse é um extraordinário exemplo de superação, que nos estimula a substituir o desânimo pelo entusiasmo, a tristeza pela alegria e o pessimismo pelo otimismo. O que aprendemos com Paulo e Gislene? ( 1 ) Se estamos com saúde e vivendo um dia maravilhoso, devemos aproveitar e dar tudo de nós, em casa, no trabalho, em nossa comunidade; ( 2 ) quando o infortúnio nos colhe de surpresa, jamais desesperar, pois ao nosso lado está o Criador; ( 3 ) Sua influência sobre nós será diretamente proporcional a intensidade de nossa entrega, de nossa crença positiva.

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