Ômar Souki

Tolerância, humildade e diálogo
 

Ao passar em frente a um aparelho de TV, fiquei chocado com o que vi em horário nobre. Uma mulher praticamente nua, deitada em uma cama, com suas partes íntimas cobertas por notas de 100 reais. À sua volta—espalhadas por toda a cama—abundavam notas de 100 reais. Será o que passa pela cabeça das pessoas que se ligam nesse tipo de programa? Tudo, menos tolerância, humildade e vontade de dialogar com a família. O corpo que estava em cima da cama superava em beleza física ao da média das mulheres em geral. Era o corpo de alguém que se dedica ao culto da beleza física. A esposa, ao ver aquela mulher, coberta de dinheiro, talvez pense: “Ah! Se meu marido tivesse mais dinheiro, eu poderia me dedicar ao meu corpo. Poderia frequentar uma academia e ficar livre desta barriga horrível!”.  O marido, por sua vez, ao olhar para aquela beleza escultural, coberta de dinheiro, talvez pense: “Vou procurar ganhar mais dinheiro e, quem sabe, no futuro, poderei encontrar uma mulher mais bonita e me livrar desta que tenho agora! Que pena, fui me casar com alguém que não se cuida!”. 

Tolerância é aceitar o outro como ele é, mas os meios de comunicação, ao idolatrar a beleza física e o sucesso material, estimulam a intolerância. Somos humildes quando pensamos mais no outro do que em nós mesmos, isto é, quando somos menos egoístas e mais altruístas, mas aquele programa exacerbava o egoísmo. E, com relação ao diálogo, será que estava sendo estimulado? Claro que não! Mostrando o “ideal” de mulher, aquela cena motivava mais a separação do que a união, o conflito do que o diálogo. Aquilo chegou até ao aparelho de TV devido a um sofisticado sistema de telecomunicações que inclui o uso de potentes câmaras, torres de transmissão espalhadas por todo o território e satélites artificiais. Sem mencionar todo o “empenho e dedicação” de atores e equipes de produção: tecnologia e talentos humanos aplicados na direção errada.

Por que o mundo—apesar de todo o desenvolvimento tecnológico—não avançou espiritualmente no mesmo ritmo?  Porque há falta de tolerância, humildade e diálogo, tanto em nível familiar quanto social. Tolerância é aceitar o outro como ele é, e não como gostaríamos que fosse. Humildade é a predisposição para o serviço e o aprendizado constantes. Diálogo é a arte de perguntar e escutar com atenção. Sem cultivar essas virtudes rejeitamos carregar a nossa cruz e não assumimos a missão para a qual fomos criados. Cada um de nós veio ao mundo com a mesma missão de Jesus, isto é, transformar a Terra em um paraíso de amor. Para isso, é preciso que carreguemos a nossa cruz, símbolo da entrega e do auto sacrifício. Para cultivarmos a tolerância, a humildade e o diálogo é necessário abrir mão de nossas necessidades pessoais. É importante ter abertura para descobrir as necessidades dos outros e procurar atendê-las.  Para criar o paraíso na Terra é preciso aprender a focar em primeiro lugar às necessidades dos outros; ver nos outros, a própria pessoa de Jesus. “Tudo que vocês fizeram ao menor de seus irmãos é a mim mesmo que estarão fazendo”.  Mas, não é isso que está sendo cultivado pelos principais meios de comunicação. A televisão—exemplo de avanço tecnológico—ainda se encontra a serviço do mal e não do bem!

 

 

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