Otimismo nos momentos finais

 Dentre as pessoas saudáveis, é raro encontrar alguém que planeje a sua vida dentro da perspectiva de que a única certeza que temos é a de que não iremos ficar aqui para sempre. Nos hospitais, porém, estão os pacientes terminais, isto é, aqueles que têm plena consciência de que o fim pode chegar a qualquer momento.

 

Se refletirmos bem, você e eu, que gozamos de saúde plena, não podemos garantir que vamos viver mais do que aquela pessoa que está no seu leito de morte. A vida é insegura e os acidentes podem acontecer. O controle escapa de nossas mãos. É ai que entra o otimismo, a esperança, a fé. Sem um forte componente otimista em nossa vida, não conseguimos nem sair da cama. Levantamos movidos pela crença de que ainda temos uma boa caminhada pela frente e sonhos a realizar. Mas, se fraquejarmos, o medo  toma conta e nos deixa, literalmente, na horizontal. Em última análise, o que nos move é a nossa fé em uma vida longa e produtiva. Mesmo no caso de pessoas doentes, as pesquisas comprovam que uma atitude mental positiva pode, sim, prolongar a expectativa de vida.

 

Outro fator que pode nos animar é a crença de que a vida não termina com a morte. Não importa qual seja a religião, ou a falta dela, cresce o número de pessoas que acreditam que a morte não é o fim. Sam Parnia, médico especialista no estudo científico da morte, autor do livro O que acontece quando morremos—um estudo da vida após a morte (Editora Larousse, 2008), apresenta inúmeras evidências de que a vida continua. Ele pesquisou centenas de pacientes que tinham tido experiências de quase morte. Conta que uma enfermeira—que afirmou não ter nenhuma crença religiosa—ao se submeter a uma operação para remoção do útero, relatou a seguinte experiência:  “. . . percebi que estava acima de meu corpo, como se estivesse flutuando no teto e olhando para mim mesma lá embaixo, com uma multidão de médicos e enfermeiras ao meu redor.  . . . não possuo nenhuma crença religiosa, ou qualquer opinião sobre a vida após a morte. Até aquele momento, eu nunca tinha ouvido falar de tal experiência . . . fiquei bastante surpresa de ter o que pareceu ser um tipo de experiência espiritual, porque não acredito em fantasmas ou espectros de qualquer tipo. Descobri mais tarde, ao olhar meu próprio quadro clínico, que minha pressão sanguínea havia sido de 50/0, portanto eu tinha tido um sangramento interno realmente intenso”.

 

Sam Parnia, constatou que a maioria das pessoas que passaram por uma experiência de quase morte dizem ver um túnel ou um longo corredor. Também falam de uma luz branca, calorosa e acolhedora que aparece no fim do túnel. Alguns passam por esse túnel e chegam a uma espécie de jardim onde se encontram com parentes mortos. Uma pessoa disse: “Tive um choque anafilático. Eu ‘morri’ e vi todos os outros parentes que já haviam falecido. Havia um longo túnel e todas essas pessoas me chamavam para eu me juntar a elas”. Outra relatou: “Eu estava flutuando, ou voando por um túnel. As pessoas estavam insistindo para eu continuar. . . . de repente, sai do túnel para uma luz brilhante e muito bonita, um jardim de umas cores muito agradáveis, vívidas, mas que desapareceram rápido, e logo eu estava de volta à cama do hospital . . . “.  Outro relato: “Eu me lembro de ir por um túnel. Era escuro em cima e embaixo, mas não muito sólido. Os lados eram como telhas—algumas azuis, amarelas e verdes, as outras eram pretas. Todas eram muito brilhantes . . . a sensação da experiência era muito calma, relaxante e tranqüila”.

 

Por que manter o otimismo, mesmo face à possibilidade de nos encontrarmos como o ‘desconhecido’ a qualquer momento?

 

Sam Parnia—baseado em suas próprias observações e na análise de centenas de relatos vindos de diversos países—concluiu que as características mais comuns das experiências de quase morte são:

 

  1. ter uma experiência fora do corpo;
  2. um encontro com parentes e amigos já falecidos;
  3. uma espécie de luz acompanhada por alegria e paz;
  4. uma linha divisória, ou uma espécie de fronteira, entre a vida e a morte;

 

O que diversas tradições religiosas afirmam, parece estar agora sendo vislumbrado pela pesquisa científica: a vida continua após a morte. Eu, em particular, acredito que uma existência sadia, repleta de contribuições, pode ser a melhor preparação para o que nos aguarda no fim do túnel: uma nova e espetacular experiência de mais tranqüilidade, mais paz e muito mais luz!

 

 

 

 

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