Psicologia positiva.

 

Mal tinha aprendido a ler e caiu em minhas mãos o livro Chapeuzinho vermelho. A história me interessou até o ponto em que o lobo mau engoliu a vovozinha. Consternado com a terrível situação, parei de ler. Tive raiva do livro e até pensei em jogar fora. Mas, a curiosidade foi maior. Retomei a leitura para ver o que aconteceria e... para minha surpresa e alegria, constatei que a vovozinha fora salva pelos caçadores, que abriram a barriga do lobo e a tiraram com vida. Que felicidade, que satisfação para uma criança de sete anos. Instalou-se em mim uma forte crença: “pra tudo tem solução!”.

Essa crença foi reforçada pelos meios pais. Mamãe, Salma Souki, filha de imigrantes libaneses, tinha tudo para ser infeliz. Sua mãe morreu quando ela tinha 12 anos, deixando a casa, o pai e 5 irmãos sob seus cuidados. Aos 18, quando decidiu se casar, sofreu forte oposição do pai. Mesmo assim, vivia com um sorriso no rosto e—contra a vontade do pai—casou-se com papai, Acácio Oliveira. Ele, por sua vez, saiu da roça aos 13 anos—após a morte da mãe—para tentar a vida em Belo Horizonte. Uma semana depois que estava na cidade, recebeu a notícia da morte do pai, que já havia sido enterrado. Apesar disso, jamais abandonou a luta. De garçom passou a gerente de hotel—dai para encarregado de obras, até abrir o seu próprio negócio em Divinópolis. Sempre foi um otimista inveterado.

E o que isso tem a ver com a psicologia positiva? Tudo! Sonja Lyubomirsky,  uma das maiores pesquisadoras do assunto, formada em Harvard—e professora na Universidade da Califórnia—descobriu que 50 por cento da felicidade se deve à genética. Então, filho de peixes, peixinho é. Cinquenta por cento de meu otimismo pode ser explicado pela genética. E os outros 50 por cento da felicidade, como são divididos?

Quarenta por cento são atribuídos a atividades intencionais, tais como pensamentos, atitudes, palavras e comportamentos. Os restantes 10 por cento ficam por conta das circunstâncias: escolaridade, renda e lugar onde a pessoa mora. Isso quer dizer que, mesmo que não tenha a contribuição da genética, nem das circunstâncias, você tem ainda 40 por cento de chances de ser feliz. Como? Investindo em sua forma de pensar, em suas atitudes, nas palavras que profere e no seu modo de agir—esse é exatamente o foco da psicologia positiva.

Cinco anos após ter lido Chapeuzinho vermelho, outro livro cruzou o meu caminho: O poder do pensamento positivo (Norman Vincent Peale). A obra de Peale foi uma das que mais influenciaram a minha trajetória, pois atua diretamente nos 40 por cento que contribuem para nossa felicidade: pensamentos, palavras, atitudes e comportamentos. Depois de ter esses 90 por cento preenchidos por fatores genéticos e por atividades intencionais, os outros 10 por centos referentes a escolaridade, renda e local de residência são mais facilmente atingidos.

Fica, então, garantido que a pessoa será otimista, feliz e realizada? Nem sempre, pois emoções negativas são inevitáveis e, até certo ponto,  saudáveis. De acordo com a psicologia positiva, para manter níveis elevados de otimismo e de felicidade, são necessárias três emoções positivas para cada negativa. Portanto, diante dos medos, raivas e tristezas da vida podemos adotar a firme decisão de cultivar mais o amor, a alegria, a serenidade, a gratidão, a coragem, a compaixão, a esperança, a inspiração.

© 2009-2019. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.