Superação humana.


“Não vim ao mundo para brincar, mas sim, para ser feliz, com todas as minhas limitações! Achei que fosse desistir, mas vi que, do meu jeito, eu sou feliz!”, afirma Naianny Henriques—de Divinópolis, oeste mineiro—portadora de ataxia (de Friedreich), uma doença degenerativa, que ainda não tem cura. Desde criança teve dificuldade de andar e, à medida que a doença progredia, precisou de cadeira de rodas. Daí foi para a cama.  A doença foi detectada quando ela tinha 11 anos, mas somente aos 18 aceitou usar cadeira de rodas—que estreou no seu primeiro dia de faculdade, quando passou a frequentar o curso de psicologia. Formou-se aos 23 anos. A luta de Naianny foi relatada no livro “Naianny—uma fênix feliz, mesmo sem cura!” de autoria de Cícera Galvão.

Naianny, hoje com 29 anos, tem dificuldade para mastigar e engolir. Mal consegue falar, mas se comunica através da linguagem escrita no celular. Em momento algum reclama da vida. É otimista ao extremo e quer contrariar os prognósticos médicos e—assim que melhorar—deseja fazer o curso de medicina neurológica.

Cícera—autora da obra—relata que iniciou esse projeto com a intenção de inspirar outras pessoas a não desistirem da vida, pois são muitos os casos de depressão e tristeza levando jovens e adultos ao suicídio. Também desejava ajudar Naianny a encontrar-se com Cristo e motivar-se. Mas, à medida que passou a conviver com ela, e a entrevistar as pessoas que a rodeavam, viu que Naianny estava cheia de Deus, transbordando de fé, confiança e otimismo. Mesmo antes de escrever a obra, Cícera era uma pessoa agradecida a Deus pela vida, mas que—depois de conhecer Naianny mais a fundo—essa gratidão pela vida cresceu bastante.

A missão de Naianny não é a de tornar-se grande, mas a de tornar grandes os corações de todos ao seu redor. O livro está salpicado de depoimentos. Lediane, uma amiga, diz: “Naianny tem uma força admirável, inexplicável, que a move e que não a deixa desistir, mesmo diante das dificuldades”.  Eloisa, vizinha, relata: “Dela eu nunca ouvi uma reclamação ou desânimo sequer... é psicóloga formada. Conseguiu o que muitos não conseguem, que desanimam pelo caminho, mesmo sem nenhum obstáculo. Eu a via indo para a faculdade de cadeira de rodas, fazendo chuva ou sol, ventania ou poeira. Não sei de onde vem a sua força, a sua vontade de viver, só sei que ela tem a minha admiração—não só a minha—mas a de todos que a conhecem”.

Sabemos que iremos morrer, mas temos a ilusão de que não será hoje nem amanhã. Para Naianny, porém, cada dia se apresenta como um presente. É justamente essa a atitude que deveríamos cultivar com relação à nossa existência, pois mesmo desfrutando de excelente saúde, poderemos ser chamados a qualquer momento. Essa guerreira nos inspira a agradecer sempre por cada dia que nos é concedido viver! Apesar de todo o seu otimismo, Naianny encara a realidade: “Amanheci pior que ontem e sei que hoje estarei melhor que amanhã”. Mesmo assim tem a força de escrever: “Eu sou feliz como sou. Muito obrigada, Deus, pelo dia maravilhoso que me proporcionará mais uma vez!”. 

 

© 2009-2019. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.