terça-feira, 10 de Julho de 2018 13:16h

A arte de J J Egídio completa 40 anos

A gravidade do sofrimento e do silêncio nas esculturas românicas de Jadir João Egídio A arte de J J Egídio completa 40 anos Jadir, expressão da arte popular divinopolitana

O Espaço Cultural GTO da Câmara Municipal de Divinópolis comemora, neste mês de julho, os 40 anos de arte em escultura do divinopolitano Jadir João Egídio (JJE).

A mostra apresenta 14 trabalhos significativos para se entender as criações do artista, cujas esculturas ornamentam ambientes em vários lugares no Brasil e no mundo.

Jadir João Egídio, escultor divinopolitano, nascido em Furtados (próximo a Djalma Dutra), ao pé da Serra dos Caetanos, hoje, aos 85 anos, é considerado uma das mais importantes expressões da arte popular no Brasil.

Pouco conhecido em Divinópolis

Segundo estimativa do próprio artista, nessas quatro décadas, já entalhou mais de 800 peças em madeira, sem contar as dezenas de brinquedos e pequenas esculturas que fez na infância e na adolescência.

Bastante conhecido nos meios artísticos de Belo Horizonte, São Paulo, Rio, Brasília e Porto Alegre, em Divinópolis poucos sabem de sua trajetória e importância para a arte brasileira.

É um artista cuja iconografia nos transporta a um período anterior ao da arte da Renascença e do Barroco, anterior mesmo ao Gótico, pois sua obra parece ter relações com o Românico” — afirma o curador paulistano Roberto Rugiero (Galeria Brasiliana/ SP), especialista em arte popular.

Estilo românico de entalhar

No “Pequeno Dicionário do Povo Brasileiro, Século XX”, de Lélia Coelho Frota, (Ed. Aeroplano, 2005), o verbete Jadir João Egídio descreve bem seu estilo singular:

O trabalho de Jadir possui completa autonomia formal e expressa a sua religiosidade de maneira única. Nele, retratos de homens e mulheres próximos, do seu convívio do dia-a-dia, assumem a gravidade do sofrimento e do silêncio de muitas imagens da escultura românica, afinidade que ele denota sem haver jamais tomado conhecimento desse capítulo da história da arte ocidental”.

Jadir tem um modo singular de esculpir: não faz desenhos prévios, apenas dispõe a madeira escolhida diante de si e começa o entalhe, vai cortando, esculpindo, “retirando o material que recobre a figura que vai surgindo”, como ele próprio descreve.

 

Texto: Flávio Flora    -    Foto de JJE: Gentileza de Fernando Gontijo Camillo

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