CRÍTICA CORINGA: Atormentado e fascinante, um grande filme para entrar na história

Joaquim Phoenix, 23 kg mais magro, entrega uma atuação monstruosa como maior vilão da DC

CARLOS HENRIQUE MONTEIRO

Nem todos gostam da idéia de ter um vilão tendo seus atos justificados, e sendo tratado como "vítima" (e na minha interpretação o filme não faz isso), mas mesmo que alguns relacionem isso com a frase de Rousseau (o homem é bom por natureza, mas está submetido à influência corruptora da sociedade), acredito que Coringa, estrelado brilhantemente por Joaquim Phoenix, é uma obra que vale ser vista como entreterimento, merece as premiações que ganhou, e outras que posteriormente pode ganhar, e além disso, pode e deve ser discutida. 

Arthur Fleck, personagem de Joaquim, é uma pessoa que foi humilhada das mais diversas formas na vida, físicas, emocionais e mentais. Seu sonho de se tornar comediante vai do céu ao inferno, com diversas humilhações e segredos descobertos, além de sofrer muita injustiça das outras pessoas. 

Gotham e o contexto político dos Estados Unidos na época, norteiam o plano de fundo da trama. O corpo de Phoenix está assustadoramente magro, pois o ator teve que perder 23 kg para o papel, o que causa um incomodo ainda maior. Suas posturas corporais vão se transformando, quase que como um renascimento, após a "morte" da personalidade de Arthur. 

As risadas são também algo a ser observado. A cada momento, vemos um tipo diferente. Algo inocente no começo, tragicómico no meio, depressivo adiante, até assustadoramente pertubardor no fim. 

É dificil estabelecer uma categoria para Coringa. Com certeza não é um filme de super herói, nem de um "vilão" de super herói, é algo mais profundo, melodramático, e porque não dizer, assustador e pertubador. Se alguem enquadra-lo em um filme de terror psicológico, nos moldes das obras de Ari Aster (Hereditário e Midsommar), não ousarei discordar. Mas prefiro coloca-lo em um drama melodramático que retrata a crueldade da realidade ao nosso redor. 

E por fim, saí com uma reflexão ao final do filme, que podemos ter vários "coringas" do nosso lado, esperando somente um único gatilho para "nascer", e que, por mais que os atos dele sejam injustificáveis, e que também é injustificável relativiza-los ou trata-lo como herói, tambérm acho injustificavel não olharmos para nós mesmos e pensarmos se podemos ser melhores como pessoas, em especial quem está "abaixo" de uma certa forma de nós (socialmente, financeiramente ou emocionalmente). 

Um 10 seria a nota perfeita, e não contesto quem crave essa opinião. No entanto, como creio que nada é perfeito nessa vida, vou tirar um "décimo", só pra deixar margem para pequenas críticas que possam surgir. Nota 9,9

Coringa está em exibição no Shopping Pátio Divinópolis, em duas salas. Na sala 1, ás 21h (legendado), e na Sala 2 ás 16h30, 19h10, e 21h30 (dublado). (Sessão extra nos finais de semana as 14h, dublado na sala 2). O filme dura 130 minutos

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