terça-feira, 22 de Maio de 2018 11:25h

Exposição destaca conexão entre a obra de GTO e o reinado do Centro-Oeste Mineiro

Considerada uma das mais importantes manifestações culturais do Centro-Oeste Mineiro, o reinado esteve sempre presente na obra de Geraldo Teles de Oliveira (1913-1990), o GTO. As esculturas produzidas pelo artista, principalmente suas populares “rodas-vivas”, trazem diversos personagens desta tradicional festa da região. Uma parceria entre o Museu Residência GTO e o Centro de Memória Professora Batistina Corgozinho (Cemud), da UEMG Unidade Divinópolis, possibilitou a organização da exposição “Museus em conexões”, que reúne diversas obras sobre o tema produzidas por GTO. A mostra, que apresenta também trabalhos do escultor Mário Teles, filho do artista, integra a programação da 16ª Semana de Museus, promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM) e realizada pelo Cemud e pelo EmRedes – Portal da Memória do Centro-Oeste Mineiro.

 

Segundo o escultor Alex Teles, neto de GTO e diretor do museu, a exposição é voltada para educadores e estudantes. “Esperamos que eles possam conhecer de perto o sentido da obra de GTO, que é universal e única, e da fé e da religião dele, que envolve o reinado. Esta conexão entre a obra do GTO e o reinado é muito forte porque, como todos sabem, ele era um grande movimentador do reinado, principalmente na terra natal dele, Itapecerica, na qual o reinado está completando 200 anos. Junto com Zé Gominho e muitos outros reinadeiros, ele fez parte deste movimento que engrandeceu e deu muita força ao reinado de Itapecerica, de onde ele trouxe toda sua cultura”, comentou Alex.

 

Há vários anos, Alex vem trabalhando com o pai, Mário, para manter as visitas das escolas ao espaço. “Infelizmente, a gente não tem o apoio devido para expandir as visitas a mais escolas, principalmente pela dificuldade em conseguirmos condução. Todos sabem que hoje a situação das pessoas está complicada, e, em vários bairros, as crianças não têm condição de arcar com este custo para vir até o museu. Mas a gente, dentro das possibilidades, faz este trabalho voluntário, principalmente na Semana de Museus, para poder plantar um pouco desta cultura sobre o GTO, independentemente deste processo pelo qual passa o Brasil, de falta de valorização à cultura e à memória de um grande artista como GTO e tantos outros”, destacou Alex.

 

A exposição pode ser conferida até o dia 25 de maio. Agendamentos de visitas podem ser feitos pelo telefone (37) 99948-1313. O museu fica na rua Rubi, 283, bairro Niterói, em Divinópolis.

 

O artista

GTO nasceu em 1º de janeiro de 1913, em Itapecerica, mas se mudou para Divinópolis com poucos meses de vida. Antes de se tornar artista, trabalhou em diversos locais, entre eles no Serviço Nacional da Malária, na Companhia Agrícola do Estado de Minas Gerais (Camig) e no Hospital São João de Deus, em Divinópolis.

 

Sua primeira exposição individual foi realizada em 1967, na Galeria Guignard, em Belo Horizonte. Desde então, sua obra ganhou o mundo, e ele foi convidado a participar de importantes coletivas no Brasil e no exterior, entre as quais a Biennale Formes Humaines, em Paris (França), em 1974; a 13ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1975; e a Bienal de Veneza (Itália), em 1980.

 

GTO faleceu em 5 de julho de 1990, vítima de embolia pulmonar, mas sua obra continua viva, principalmente no trabalho desenvolvido por Mário e Alex.

© 2009-2018. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.