sexta-feira, 9 de Agosto de 2019 14:52h Atualizado em 9 de Agosto de 2019 às 20:57h. Ilidio Luciano

Delegado desmente versão da acusada de assassinar criança de seis anos no Lagoa dos Mandarins.

Segundo Sarah, a criança teria caído da área de serviços do apartamento, perícia desmente.

Ilídio Luciano

Em depoimento na Delegacia de Polícia Civil de Divinópolis, ao delegado regional Leonardo Pio, Sarah Maria de Araújo, de 38 anos, acusada de matar a menor Amanda Filgueira Calais de apenas seis anos de idade, contou sua versão sobre o ocorrido no bairro Lagoa dos Mandarins.

Em entrevista coletiva, concedida na Delegacia de Polícia Civil, o delegado contou que a autora do crime disse que a menina teria caído da área de serviços de sua residência, enquanto ela estava no banheiro.

“A acusada tem uma filha, com idade de cinco anos e as duas estavam brincando na residência da Sarah, ela estava varrendo a calçada, e a Amanda teria ido a sua casa para brincar com sua filha. Na versão da acusada, ela subiu para o segundo piso da residência com as duas crianças, e foi ao banheiro. As crianças disseram a ela que queriam usar também o banheiro. Como estava no banheiro, Sarah disse para as crianças usarem um balde que estava na área de serviços. A acusada alega que a Amanda subiu em uma parede que faz divisa com o terreno onde a vítima foi encontrada, e caiu”, contou.

O delegado continua a versão dada pela acusada, no sentido de esconder o corpo de Amanda.

“Segundo a Sarah, ela ficou muito assustada, e pensando na repercussão que teria com a família da Amanda, ela esperou que ninguém estivesse na rua, porque todos estavam procurando a criança, quando a acusada teria descido, pegado o corpo da Amanda e levado novamente para o seu apartamento. Ela então colocou o corpo no quarto da filha dela e jogou um cobertor por cima, pensando que se alguém chegasse na casa dela, não veria o corpo de Amanda. Por volta das  23h:45, o filho da Sarah, de 17 anos, que estava ajudando na procura por Amanda, retornou para casa, enquanto ele tomava banho, Sarah teria pegado o corpo de Amanda, levado para a sacada novamente e de lá arremessou o corpo da criança no terreno ao lado, onde foi encontrado pelos policiais”

O delegado então passou a explicar tecnicamente os motivos que acreditou que a versão dela não era verdadeira. Leonardo afirma que, de acordo com a perícia técnica, Amanda já estava morta antes de ser lançada pela área de serviços.

“Nós afirmamos com certeza que Amanda já estava morta por volta da meia noite, quando os vizinhos ouviram o barulho do corpo caindo ao chão, porque nós estivemos no local com os peritos, com médico legista e constatamos os sinais de estrangulamento no corpo da Amanda e já estava em rigidez cadavérica com aproximadamente seis a oito horas. Ou seja, a versão da acusada é totalmente contraditória as provas periciais já realizadas”, contrasta.

O delegado também afirmou que Sarah modificou a cena do crime, ao lançar no lote onde Amanda foi encontrada, potes de iogurte que foram ingeridos por Amanda e a filha dela, bem como as roupas da vítima que estavam na casa da acusada. Leonardo Pio informou também que, Sarah não possui boa convivência com os vizinhos, sendo uma pessoa que se envolve em discussões recorrentes.

“A Sarah lá no bairro é tida como uma pessoa de convivência difícil, ela gosta de brigar com vizinhos, inclusive ficamos sabendo que ela já tinha tido problema com a mãe da Amanda. Reclamou que a menina ficava subindo no portão da casa dela, ou seja, demonstra um comportamento anti-social da Sarah. Com isso, as investigações caminham para uma possível vingança da acusada com a mãe da Amanda”, sugere.

Por fim, o delegado afirmou que a acusada já possui registro de ocorrência no Juizado da Infância e Juventude, por maus tratos a filha, inclusive está ameaçada de perder a guarda da menor, antes de cometer o crime contra Amanda.

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