quinta-feira, 12 de Outubro de 2017 08:22h Juliana Lelis

Jovem cria campanha online para conseguir prótese

Isabella teve a perna amputada em março, após ser atingida por uma bala perdida

Com apenas 18 anos, a jovem Isabella Caldas, sentiu na pele a experi­ência de nascer de novo. Após ser atingida por uma bala perdida e ficar 46 dias em coma e dois meses no hospital, a menina teve a perna direita amputada, e agora busca ajuda para conseguir sua tão sonhada prótese e voltar a andar. O vídeo da campanha foi di­vulgado na última segunda (9) e já tem mais de oito mil visualizações.

A vida da jovem Isabella mudou no dia 12 de março deste ano. Ela foi com sua irmã à festa de aniversário de duas amigas e, após menos de uma hora no lo­cal, um tumulto começou do lado de fora do evento. Segundo ela, um grupo de homens estava tentando entrar, mas foram barrados pelos seguranças.

“Nessa hora começou a confusão, e eu estava a menos de dois metros da porta. Quando percebe­mos, todo mundo come­çou a correr, com medo, e minha irmã me puxou para escondermos atrás de uma parede. Quando ela se virou e soltou minha mão, eu escutei o primeiro tiro, e olhei para trás, nessa hora vi o atirador e a arma apontada em minha dire­ção, foi quando paralisei e fui atingida”, lembrou.

Segundo a jovem, no momento do disparo, caiu no chão e perdeu a cons­ciência por apenas alguns segundos, quando acordou não estava sentindo dor.

“Como eu não estava sentindo nada, vi o sangue no chão e tentei levantar, foi quando não consegui mexer minha perna e per­cebi que o sangue era meu. Além disso, outro menino baleado do meu lado tinha caído em cima de mim”, contou.

RESGATE

Além de Isabella, outras três pessoas foram baleadas na festa. Após o tiroteio ser controlado, um dos segu­ranças do evento localizou as vítimas e as levou para Unidade de Pronto-Aten­dimento (UPA 24h).

“Eu sempre falo que o segurança Maicon salvou a minha vida, porque ele prestou esse socorro rá­pido pra gente. Até esse momento eu ainda estava consciente, e me lembro de todo o trajeto até chegar à UPA”, disse.

Isabella chegou à uni­dade por volta de 2h30, segundo ela, sua última lembrança foi quando a equipe tentava tirá-la do carro pelo porta-malas.

“Dos atingidos, eu fui uma das últimas a ser so­corrida. Meus amigos esta­vam desesperados, porque eu estava sangrando muito, foi quando um plantonista do João XXIII, que estava de plantão na UPA, me exami­nou e viu a minha artéria rompida. Ele então correu comigo, porque se eu não fosse encaminhada rápido, ia morrer”, afirmou.

Ainda de acordo com a jovem, na época, a cidade estava sem UTI móvel e foi preciso aguardar a chegada do transporte de Formiga para ser transferida. De acordo com o boletim mé­dico, foram seis horas de isquemia até a situação ser controlada.

DOIS MESES DE LUTA

Isabella chegou ao hos­pital João XXIII, em Belo Horizonte, por volta das 8h, e foi encaminhada imedia­tamente para sua primeira cirurgia. O procedimento durou mais de 15 horas.

“No primeiro momento, eles tentaram controlar a hemorragia e recuperar minha perna. Tiraram a safena para tentar uma ponte, mas não deu certo. O tempo ia passando e eu só estava piorando. Meu rim parou e tive que começar a hemodiálise, neste período, apareceu uma bactéria no pulmão e fui entubada. Até então, eu ainda estava um pouco consciente e a perna não havia sido amputada”, relatou.

No dia 17, Isabella pas­sou por sua primeira am­putação, retirando apenas a parte abaixo do joelho, porém, devido a uma bacté­ria em sua perna, foi neces­sária uma segunda cirurgia, onde foi retirado acima do joelho.

“Se essa bactéria atin­gisse a corrente sanguínea, eu ia morrer, então tiveram que tirar mais na amputa­ção. Após as cirurgias, eu entrei em coma”, contou.

Foram 46 dias em coma, e neste período, diversas complicações foram sur­gindo, como água no pul­mão, bactéria hospitalar, pneumonia e, devido ao rim parado, a chance de Isabella precisar de hemo­diálise pelo resto da vida era de 80%.

“Como eu tinha pegado bactéria, estava em isola­mento e minha mãe conta que, como estava entubada, ela podia encostar apenas no meu pé”, disse.

AMPUTAÇÃO

Após os 46 dias, Isabella acordou, mas como havia feito traqueostomia, estava com dificuldade de falar. Neste período, o risco de vida era menor, porém a jo­vem ainda não sabia sobre a amputação de sua perna.

“Quando eu acordei, estava sentindo a dor fan­tasma, inclusive, sentia frio no pé. Um dia eu pedi a enfermeira uma meia, ela me olhou assustada. Eu sabia que tinha algo estra­nho acontecendo, mas não passou pela minha cabeça em nenhum momento a possibilidade da amputa­ção”, afirmou.

A notícia foi dada pela mãe de Isabella, com o apoio de médicos e psicó­logos.

“Eu chorei muito, sabia que dali em diante seria uma vida nova para mim, e a aceitação é muito difícil até hoje, porque minha vida parou, a gente tem de aprender tudo de novo e recomeçar”, contou.

PRÓTESE

Após passar os primei­ros dias de recuperação, Isabella foi encaminhada para uma clínica de reabili­tação, onde buscou conhe­cer sobre as possibilidades de próteses. Quando soube o valor do equipamento, veio o choque, o custo mé­dio era de R$ 32 mil.

“Eu, na hora, disse para o doutor Fabrício que não tinha possibilidade de con­seguir aquele valor. Ele então resolveu me ajudar, como algumas pessoas tro­cam com o tempo o modelo das próteses, os antigos ficam lá para doação, e ele conseguiu para mim um pé e um joelho de graça”, comemorou.

Apesar da doação para o implante ser feito, é neces­sário um encaixe, feito so­bre medida para o paciente. O custo da peça deveria ser arcado por Isabella, mas ela conta não ter condições.

“O encaixe tem o custo de R$ 7 mil. Eu também não tinha esse valor, então o médico me deu a ideia de criar essa campanha online. No primeiro momento, eu fiquei com receio, devido à exposição, mas depois de muita conversa, decidi que valia a pena”, disse.

CAMPANHA

O vídeo da campanha de Isabella já tem mais de 8 mil visualizações. Ela pede ajuda com qualquer valor e está otimista sobre o resultado.

“Olhando o total, é mui­to dinheiro, mas se cada um puder ajudar com R$ 1, eu acredito que consigo sim a prótese, e esse é meu foco agora, poder implantá-la e continuar minha vida de onde parou”, pediu.

AS DOAÇÕES ESTÃO SENDO FEITAS NA CAIXA ECONÔMICA FEDERAL.

CONTA: 21575/0

AGÊNCIA: 3221

OPERAÇÃO: 013

NOME: Isabella Caldas de Melo Silva.

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