sexta-feira, 21 de Abril de 2017 08:08h Luiz Felipe Enes

Lixo e sujeira tomam conta das ruas da área central de Divinópolis

E de alguns bairros também. Moradores reclamam do excesso de sujeira e ausência de profissionais de limpeza

Ruas largas, sinalizadas e arborizadas. Projeto perfeito para uma cidade em pleno desenvolvimento. Associado à limpeza urbana, vias bem cuidadas e higienizadas transformariam Divinópolis em uma excelente cidade para viver, contudo, a situação vista nas ruas tem sido outra e moradores e pedestres que circulam pela área central são obrigados a dividir espaço com o lixo.

A reportagem do Jornal Gazeta do Oeste percorreu as principais ruas de Divinópolis e não foi difícil avistar lixo jogado em local inapropriado, tanto durante o dia quanto à noite. Porém, o período noturno pode ser considerado o pior. Em uma das principais avenidas da cidade, a que recebe o nome da data de emancipação do município, a Avenida Primeiro de Junho, está repleta de lixo, principalmente à noite.

Tanta sujeira nas ruas da cidade tem preocupado comerciantes, pedestres e trabalhadores que circulam pelo Centro. Esse é o caso da Advogada e Diretora Jurídica Renata Veloso Rocha. Ela frequenta diariamente um prédio situado na Rua Minas Gerais, esquina com Rua Rio Grande do Sul. Renata conta que em alguns dias, principalmente durante os fins de semana, a quantidade de lixo impressiona.

“Acho que hoje o lixo é uma coisa crônica. Inclusive mundialmente. Mas aqui afeta bastante. Prédios comerciais, temos vários bares e restaurantes, inclusive ao lado desse prédio tem um que joga muito lixo. Chega na segunda feira que é o dia mais crítico, está o lixo todo espalhado pela rua, pelo condomínio. Às vezes dificulta a passagem de muita gente. Tem a farmacinha aqui, muita gente idosa passa por aqui”, conta Renata.

Quem também questiona a situação da coleta do lixo na área central de Divinópolis é o auxiliar de escritório Laércio Sobrinho. O trabalhador contou à reportagem que no começo da semana é alarmante a quantidade de lixo espalhada nos trechos da Rua Minas Gerais, entre Bahia e Sete de Setembro e também no trecho da Rua Rio Grande do Sul, entre as ruas Goiás e São Paulo.

“Principalmente no início da semana. Porque nos finais de semana, como é uma área comercial, principalmente de lanchonetes, restaurantes, de comida, então o pessoal deposita os lixos domingo à noite, então segunda-feira fica bem sujo, bem inadequado andar nessa região. Essa situação foi levada agora aos escritórios aqui da região. É... de uns meses pra cá que está ficando insuportável”, suspirou.

CANSAÇO OU CARÁTER?

Não é só na área central de Divinópolis que o acúmulo de lixo nas ruas tem causado constrangimento. Andando na região do bairro São José, nossa reportagem deparou com uma grande quantidade de lixo amontoada em uma esquina. Logo, ao notar a presença da equipe de reportagem, uma moradora reivindicou. “Vocês estão filmando isso aqui? Olha que vergonha. Cê pode vir aqui todo dia que é a mesma coisa. O povo tá muito sem educação. Tem 20 anos que eu moro aqui e tem os horários que o lixeiro passa, mas o povo não tá respeitando. Naquele muro ali em baixo o dono até escreveu que não era pra jogar lixo ali, então o pessoal acumula tudo aqui”, revelou Isaura Ferreira, 40 anos, dona de casa.

Em outra região, mais próximo do Centro, também não é diferente ver um saco de lixo em cada esquina. No bairro Porto Velho, basta andar um quarteirão e avistar lixo e mais lixo acumulado. A secretária Margareth Cruz sabe bem disso. “Aqui o caminhão costuma passar, mas vejo muito pouco. O que eu vejo mesmo é um monte de gente vindo e revirando todo o lixo. Eles abrem pra ver se tem alguma coisa, revira, revira e depois deixa todo tipo de porcaria aqui”, explicou.

INDIGNAÇÃO

Algumas cidades da região implantaram um sistema diferenciado de coleta seletiva. Não muito distante daqui, em Itaúna, o serviço parece funcionar. Durante alguns dias da semana, o caminhão passa nas ruas recolhendo apenas o lixo orgânico, ou seja, aquilo que de alguma forma não pode ser reaproveitado. Nos demais dias, outro caminhão retorna buscando apenas o material reciclável, mas aí entra o importante papel da comunidade em contribuir, separando o lixo que pode e o que não pode ser reaproveitado ou reutilizado.

Contudo, em Divinópolis, antes mesmo de o caminhão passar para recolher o lixo, outros visitantes já estiveram por ali. “É um problema muito antigo, que vem sempre acontecendo. Mas está ficando numa situação insuportável, porque os andarilhos passam à noite e esparramam o lixo. Eles não estão catando alguma coisa, eles esparramam. Os catadores geralmente catam o que eles precisam é levam o resto. Eles não. Eles rasgam tudo, jogam pelo chão e vão embora, não tem interesse nenhum”, disse a zeladora Cláudia Coelho.

Trabalhando em um prédio na rua Minas Gerais, Cláudia já cansou de ver pessoas debilitadas, com problemas de saúde, custando a passar pela calçada, dividindo espaço com o lixo. “E o pessoal passa aqui direto. Passa gente aqui machucada, com muleta, cadeira de rodas e tem hora que eu tenho que sair daqui e ir lá auxiliar a pessoa. A situação é muito difícil. A calçada já é apertada e ainda tem a Semusa (Secretaria Municipal de Saúde), a farmacinha, o pessoal que precisa desses atendimentos. A gente sabe que na maioria das vezes eles estão com dificuldades físicas”, relatou.

POPULAÇÃO QUER RESPOSTAS

Estarrecida com a situação, a zeladora Cláudia Coelho procurou a empresa que faz o serviço de recolhimento do lixo em Divinópolis. “Eles não tinham muita informação. Ela informou que só passa de segunda a sábado. Como tem câmera de monitoramento aqui, eu sei que ele passa toda a segunda, de segunda a sexta é por volta de 0h30 e no sábado, ela passa 21h30, depois ele volta a passar na segunda-feira, no caso na terça-feira, na madrugada da terça. Fica muito lixo. No domingo não tem nada, no domingo eu acho que também tinha que ter esse trabalho, por ser serviço público, pelo menos nessa região. Que tem restaurante, pizzaria, como que o pessoal fica com lixo dentro do estabelecimento? Não é lixo de casa, mas lixo de restaurante, lanchonete, é muito lixo”.

Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Divinópolis informou que a coleta do lixo é feita diariamente na região central, com exceção do domingo. A assessoria de comunicação disse que nas áreas do Centro, Sidil e bairro Santo Antônio, o caminhão passa de segunda a sexta-feira, a partir das 18h. No sábado, o caminhão passa a partir das 17h. Já em alguns bairros mencionados na reportagem, o horário e os dias são outros. A prefeitura informou que na região do bairro São José o caminhão passa as terças, quintas e sábados, sempre a partir das 17h. Já no bairro Porto Velho o lixo é recolhido a partir de 7h, durante terça, quinta e o sábado. Não existe coleta de lixo durante o domingo.

Em caso de alguma reclamação, a Prefeitura de Divinópolis informou um número de contato da empresa responsável pela manutenção do lixo. Basta ligar 3212-1087 e formalizar a queixa. Aos moradores, resta esperar. “Tudo isso afeta. A solução de imediato seria a prefeitura passar duas vezes ao dia para tentar amenizar, não que vá resolver”, declarou a advogada Renata Veloso.

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