sexta-feira, 21 de Abril de 2017 08:06h Nayara Leite

Projeto “Octo”: polvos de crochêna UTI Neonatal do São João de Deus

Especialistas afirmam que tentáculos se assemelham a cordão umbilical

O projeto“Octo” está sendo implantado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal do Hospital São João de Deus (HSJD). A ideia consiste em produzir, por meio de voluntários, “polvos” de crochê para serem colocados nas incubadoras com os bebês prematuros.

Essa prática vem ajudando bebês recém-nascidos prematuramente a se sentirem mais seguros e confortáveis nas incubadoras das maternidades através de algo simples e eficiente, o contato com as linhas macias do polvo.

Tudo começou na Dinamarca, em 2013, quando pesquisadores observaram que os bebês prematuros, ao ficarem próximos dos polvos nas incubadoras, tinham melhoras nos sistemas cardíaco e respiratório, além de níveis mais altos de oxigenação no sangue. Segundo os cientistas, os motivos estão nos tentáculos, que, para os recém-nascidos, remetem ao cordão umbilical, pois envolvem os bebês, evitando acidentes e o contato com as paredes da incubadora. Assim se sentem mais seguros e confortáveis durante sua recuperação.

O pediatra Dr. Júlio Veloso garante que o objeto dá mais conforto, diminui o stress, evitando complicações como a perca de peso, alterações hemodinâmicas e, assim,os recém-nascidos se desenvolvem melhor. “Hoje vem sendo comprovada a eficácia desse projeto, que supre a ausência da mãe. Antes de nascer, a criança fica envolvida pelo cordão umbilical e se movendo, depois que ela nasce, perde esse contato. Então o polvo, com os tentáculos, simula o interior do útero da

mãe”.

O Hospital São João de Deus já utilizava uma técnica semelhante para acalmar os bebês em tratamento na UTI Neonatal, meias cirúrgicas eramcheias de algodão e colocadas nas incubadoras.

Os polvos não podem ser reaproveitados, mesmo se esterilizados, por isso énecessáriodoações constantes.“É um objeto estilizadoe que, devido às normas do Centro de Controle da Vigilância Sanitária, não podem ser reaproveitados, são doados como lembranças para a família que o utilizou. Por isso é um projeto que requer a ajuda constante de doadores, para que um novo bebê também receba o tratamento alternativo”, explica o pediatra.

OUTROS HOSPITAIS

Na Dinamarca, o projeto “Octo” faz doações para 16 hospitais e tem pedidos para iniciar o programa em mais de 15. Na Holanda, Áustria e Estados Unidos,a técnica também já é desenvolvida.

No Brasil, hospitais municipais e particulares de Goiás aderiram ao projeto. Em Belo Horizonte, hospitais municipais receberão em breve os polvos de crochê, e outras maternidades do país também já implantaram o programa.

CONFECÇÃO DOS POLVOS

Funcionários do próprio HSJD que conheciam pessoas dispostas a desenvolverem os polvos de crochê se mobilizaram para implantar o projeto terapêutico.

A técnica de fabricação é simples e com apenas um novelo de linha épossível fazer até três polvos. Cores e detalhes decorativos diversos podem ser usados, mas o importante é a sensação do tato do bebê, a linha macia garante conforto.

Os polvos devem ser confeccionados com linha 100% algodão e o recheio da cabeça deve ser de um materialsiliconado antialérgico. A fabricação deve ser padronizada: os tentáculos não podem passar de 22 centímetros quando esticados e a cabeça deve entre 6 a 9 centímetros.

Interessados em participar do projeto com doações podem entrar em contato com a UTI Neonatal do Hospital São João de Deus.

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