quinta-feira, 6 de Dezembro de 2018 13:49h Jordana Amaral

Equipe de Zema planeja reduzir folha de pagamento da Cemig, que teria salários de até R$ 80 mil

Especialistas consideram a medida válida, mas ela esbarra em questões técnicas.

 

Imagem Ilustrativa

A equipe de transição de Romeu Zema (Novo) planeja um corte drástico na folha de pagamento do Grupo Cemig, formado por 200 empresas. Hoje, 700 empregados do conglomerado recebem, juntos, R$ 500 milhões por ano. A previsão, de acordo com o coordenador do grupo, Mateus Simões, é cortar R$ 450 milhões do bolo. Para isso, ele pretende extinguir alguns cargos e unir outros. Especialistas consideram a medida válida, mas ela esbarra em questões técnicas. “Não vou pagar 700 pessoas onde eu poderia ter 70”, enfatiza Simões. 

Entre os empregados mais bem pagos, diz, estão diretores, superintendentes, chefes de departamento e outros cargos de chefia. Segundo Simões, os salários chegam a R$ 80 mil, com média de R$ 38 mil. Somente na Cemig, a quantidade de pessoas com salários altos chega a cem. “O valor dos salários não me preocupa tanto. Afinal, estamos falando de executivos de uma das maiores empresas do Brasil. O problema é a quantidade de pessoas com altos salários”, critica.

A ideia é permitir que diretores de uma empresa arbitrem sobre outras.Ou seja, a intenção é fazer com que o diretor de Novos Negócios da Cemig, por exemplo, acumule as funções de diretor de Novos Negócios de outra companhia do grupo.

“Dentro dessas 200 empresas tem 120 usinas. Elas são iguais, não precisam de um diretor para cada. Se for difícil assumir 120 usinas, podemos colocar um diretor para 30 usinas”, afirma. 

Especialista no setor energético e ex-conselheiro de Furnas, Roberto D’Araújo afirma que reduzir para 10% os cargos de chefia será uma tarefa hercúlea. Especialmente no que diz respeito à proposta de unir diretorias de diferentes empresas. 

Segundo ele, embora atuantes do setor de energia, as empresas têm expertise distintas. Algumas são de distribuição, outras de transmissão e outras de geração. “São tecnologias muito diferentes em cada área. É difícil que alguém entenda de todas”, afirma.

D’Araújo pondera, no entanto, que a redução de diretorias é fundamental para o bom andamento do conglomerado. A título de comparação, a Cemig propriamente dita tem, hoje, 11 diretorias. O número é quase o dobro do registrado em Furnas, com seis cadeiras. 

Por nota, a Cemig informou que desconhece a fonte dos números apresentados pela equipe de transição. "A companhia tem implantado um vigoroso plano de redução de despesas, tendo diminuído os custos de sua folha em aproximadamente 25% nos últimos três anos. Os cargos de recrutamento amplo (admissíveis e demissíveis ad nutum) da Cemig são cargos de confiança, de nível gerencial, e seus empregados, de diferentes perfis profissionais, com atribuição  de prestar auxílio direto, interno e externo aos dirigentes da Empresa em questões estratégicas. No terceiro trimestre deste ano, havia 33 cargos de empregados ad nutum (comissionados), em um universo de mais de 6 mil empregados próprios da Cemig. Essa informação está disponível no site da companhia", diz o texto.

Ainda segundo a Cemig, por ser uma empresa de esboços mista a energética "adota as melhores práticas de mercado e segue as diretrizes estabelecidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pela nova Lei das Estatais quanto a governança e transparência".

 

 

Fonte: Portal Hoje Em Dia 

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