quinta-feira, 12 de Outubro de 2017 08:19h Pollyanna Martins

Governo do Estado investe em ações para o controle do Aedes aegypti

O Governo fez um investimento inicial de R$ 18 milhões para o controle do vetor da Dengue, Chikungunya e Zika

O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (SES), fez um investimento inicial de R$ 18 milhões para o controle do Aedes aegypti em Minas Gerais. Confor­me a SES, as estratégias de controle do mosquito no Sistema Único de Saúde (SUS) estão concentradas nas ações de mobilização social junto à população, assistência aos pacientes, aquisição de equipamentos, insumos, medicamentos e novos veículos, monito­ramento da circulação do vírus e de novos casos da doença no estado, capa­citação de profissionais e fortalecimento do apoio aos municípios no controle do vetor.

De acordo com o Minis­tério da Saúde, a redução no número de casos de den­gue foi, em média, de 90%. Em Divinópolis, o balanço também foi positivo e a diferença com o mesmo pe­ríodo no ano passado é de mais de 97,78%. Em todo o estado, a redução nos dados apresentados nos balanços epidemiológicos também é expressiva. Em caráter estadual, foram registrados 25.438 casos prováveis de dengue e, em Divinópolis, a diferença em relação ao ano anterior é ainda maior. Em 2016, foram registrados 5.716 casos de dengue, sen­do 5.678 até setembro, já neste ano, de acordo com os dados da Secretaria Munici­pal de Saúde (Semusa), até o momento, foram notifica­dos 126 casos, apresentan­do uma redução de 97,78%.

Segundo o Secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais, Sávio Souza Cruz, as ações estão sendo arti­culadas junto ao Comitê Gestor e aos Municípios, tendo em vista o aumento de casos de Chikungunya no estado. “Se por um lado comemoramos uma queda altamente expressiva nos casos de dengue no nosso estado em relação ao ano passado, por outro, nos pre­ocupa a evolução nos casos de Chikungunya. Por isso já estamos tomando uma série de iniciativas, como a distribuição de equipa­mentos para os municípios que possuem um maior nú­mero de casos da doença”, informa.

De acordo com a SES, ao todo, estão sendo investidos R$ 7,9 milhões na aquisição de novos veículos e equipa­mentos para a U.B.V.; R$ 350 mil em medicamentos, in­sumos e equipamentos para implantação de Unidades de Hidratação; mais de R$ 4 milhões em 35 novos veícu­los destinados às 28 Unida­des Regionais de Saúde do estado, Fundação Ezequiel Dias (FUNED) e Laborató­rios Macrorregionais; R$ 3 milhões na compra de três mil equipamentos costais e 1.300 equipamentos mo­torizados para dispersão de inseticidas; R$ 300 mil para a compra de 100 galões de nitrogênio, que vão quali­ficar o monitoramento dos vírus que estão circulando no estado e outros R$ 2,5 milhões serão destinados para a nova campanha de mobilização social, que será veiculada em diversos meios de comunicação, incluindo rádio, televisão e mídias sociais, a partir do próximo mês.

ARMADILHAS

De acordo com a Se­cretaria de Estado de Saú­de, também estão sendo reativados os 28 Comitês Regionais das Doenças Transmitidas pelo Aedes, que vão realizar um moni­toramento nas áreas mais suscetíveis às doenças, além da oferta de apoio técni­co. Além da realização do LIRAa (Levantamento de Índice Rápido do Aedes ae­gypti) para monitoramento do índice de infestação do Aedes, serão implantadas ovitrampas (armadilhas) em 136 municípios priori­tários do estado, que vão permitir uma avaliação quinzenal de cenários de risco para a transmissão das três doenças.

Ainda segundo a SES, por meio das diretrizes definidas pelo Ministério da Saúde, a respeito das práticas de controle das epidemias de Dengue, Zika e Chikungunya, está sendo desenvolvido o programa de distribuição de Ovitram­pas para as regionais de saúde dos municípios de Minas Gerais. A Ovitrampa é um dispositivo capaz de ajudar no controle vetorial, uma ferramenta muito im­portante, já utilizada em alguns lugares do país e em alguns municípios de Mi­nas. “É uma armadilha de oviposição do gênero Aedes, e tem como fator primordial evidenciar a amostragem do índice de infestação do Aedes, sendo um recurso de baixo custo e de grande eficácia no programa de controle”, afirma Giovani Pontel, do laboratório de Entomologia.

A secretaria explica que o programa de distribuição compreendido dentro das diretrizes nacionais do Mi­nistério da Saúde prevê o contato direto com a popu­lação. Depois de realizada a distribuição nas regionais, as Ovitrampas serão di­recionadas pelos agentes de saúde às residências e estabelecimentos privados dos municípios de Minas incluídos no programa. Os métodos de atuação são estabelecidos para cada processo de estágio de vida do mosquito Aedes aegypti, dividido em quatro fases, começando pelo ovo, de­pois larva, passando para a pupa e finalmente atingin­do o estágio final, o mosqui­to. A Ovitrampa funciona no controle epidemiológico do primeiro estágio do ciclo de transmissão da dengue, sendo um recurso capaz de tomar medidas a partir de dados coletados.

TREINAMENTO

A SES realizou, na se­mana passada, um treina­mento sobre a instalação e manuseio de armadilhas de ovos do mosquito Aedes aegypti para profissionais das Regionais de Saúde do estado. As Ovitrampas começam a ser instaladas ainda neste mês e, inicial­mente, 135 municípios mi­neiros receberão os equipa­mentos para instalação das armadilhas. As Ovitrampas fazem parte do Projeto de Ampliação da Vigilância Entomológica para Mo­nitoramento do Aedes no Estado de Minas Gerais. Além das Ovitrampas, já é realizado em Minas o LIRAa (Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti) nos municípios com mais de dois mil imóveis e o LIA (Levantamento de Índice Amostral).

Segundo a secretaria, por meio das armadilhas, será possível detectar os índices de infestação do Ae­des em cada região durante todo o ano. Para a monta­gem de cada Ovitrampa, a SES-MG fornecerá reci­pientes escuros, palhetas cortadas nas dimensões de 2,5 cm por 10 cm (que serão utilizadas para a postura de ovos das fêmeas do mosqui­to), levedo de cerveja (que funcionará como atrativo para as fêmeas), caixas de madeira para o transporte das palhetas encaminhadas para análise, entre outros. O manuseio será feito pe­los agentes que atuam no controle do vetor em cada município, em parceria com as Regionais de Saúde.

De acordo com a refe­rência técnica do Progra­ma Estadual de Controle das Doenças Transmitidas pelo Aedes, Viviane Lúcia Carneiro, cada Regional de Saúde deverá replicar o treinamento de montagem e manuseio das Ovitrampas junto aos municípios que receberão os equipamen­tos. “Além de sensibilizar os municípios, precisamos tê-los como parceiros no controle do vetor. Afinal, va­mos continuar com todas as outras ações que já vinham sendo feitas, adicionando a estratégia das armadilhas”, explica.

POPULAÇÃO

Mesmo com o méto­do de controle vetorial, proporcionado pela Ovi­trampa, a Referência Téc­nica do Programa Estadual de Controle das Doenças Transmitidas pelo Aedes destaca o compromisso que a população precisa manter na própria casa em relação aos métodos de controle ambiental. “É ne­cessário que o cidadão faça a sua parte, prezando pelos hábitos capazes de neutra­lizar os principais focos de infestação do mosquito da dengue, como vedar devi­damente as caixas d’água, fazer a limpeza correta das calhas de casa, trocar a água dos vasos de plantas, elimi­nando assim os criadouros das larvas do inseto, além também do controle quí­mico, quando utilizamos o inseticida”, destaca Viviane.

AEDES AEGYPTI

O Aedes aegypti é um mosquito doméstico que pode viver, inclusive, den­tro de casa e perto do ser humano. Com hábitos diur­nos, o mosquito se alimenta de sangue, sobretudo ao amanhecer e ao entardecer. A reprodução acontece em água limpa e parada, a par­tir da postura de ovos pelas fêmeas. Os ovos são coloca­dos em água limpa e parada e distribuídos por diversos criadouros, que podem ser os locais ou objetos que fazem parte da nossa casa, trabalho ou escola. Por isso, toda a sociedade deve se unir e trabalhar junta para a eliminação dos focos do mosquito Aedes aegypti.

CUIDADOS

Mantenha a casa limpa e sem água parada para evitar os possíveis criadouros: nada de manter pratinhos de plantas com água, gar­rafas pet ou qualquer objeto que facilite o acúmulo de água; dê um cuidado espe­cial ao armazenamento e destinação do lixo. Jamais descarte qualquer outro material que possa acumu­lar água no quintal de casa, no quintal de vizinhos, na rua ou em lotes vagos. Latas, caixas de leite e similares, é recomendável retirar o fundo para descartar; man­tenha as calhas livres de entupimentos, para evitar represamento de água nes­tas; mantenha limpos e es­covados os bebedouros de animais domésticos; a água deve ser trocada diariamen­te; mantenha piscinas devi­damente tratadas; cuidados extras para reservatórios de água: caixas d’água devem estar bem tampadas e veda­das. Se optar em armazenar água das chuvas, é impor­tante que tampe bem os recipientes.

A água sanitária também poder ser utilizada para eliminar as larvas do mos­quito Aedes aegypti. Mas é importante lembrar que ela não pode ser utilizada em recipientes usados para armazenamento de água para consumo humano e de animais. O tratamento deve ser repetido semanalmente, de preferência em dia fixo, de modo a garantir que a solução continue efetiva.

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