quarta-feira, 19 de Abril de 2017 09:01h G1

Manifestantes contra e pró Maduro vão às ruas na Venezuela

Agência diz que jovem morreu baleado em manifestação de opositores. Chefe de estado convocou simpatizantes a se manifestar.

Em clima de tensão, manifestantes fazem nesta quarta-feira (19), em Caracas, o sexto protesto deste mês de abril contra o presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Apoiadores do presidente também participam de atos públicos. A manifestação acontece um dia depois do governo ativar plano para impedir suposto golpe militar.

Policiais e militares venezuelanos jogavam gases lacrimogêneos contra os opositores que se manifestavam nesta quarta em vários pontos de Caracas, para impedir que avancem até o centro da capital.

Os distúrbios começaram em setores da estratégica rodovia Francisco Fajardo, no El Paraíso, Quinta Crespo, San Bernardino e San Martín, oeste da cidade, constataram os jornalistas da AFP.

Manifestantes e polícia se enfrentam durante manifestação nesta quarta-feira (19) em Caracas (Foto: JUAN BARRETO / AFP)

Manifestantes e polícia se enfrentam durante manifestação nesta quarta-feira (19) em Caracas (Foto: JUAN BARRETO / AFP)

Em San Bernardino, noroeste da capital, um rapaz de 17 anos ficou ferido a bala na cabeça ao ser atingido por disparos feitos por um grupo de homens em motos, segundo relatam testemunhas. Segundo fontes de segurança ouvidas pela agência Reuters, o jovem, identificado como Carlos Moreno, morreu. A informação não foi confirmada oficialmente.

Em Paraíso, agentes da militarizada guarda nacional tentavam dispersar com gase os manifestantes. "Covardes!", gritava um grupo de mulheres.

 

Medidas ditatoriais

A oposição, que promete fazer deste o maior protesto de todos, acusa o presidente de recorrer a medidas ditatoriais para acabar com a revolta popular causada pela profunda crise econômica que abala o país.

Manifestantes queimam foto do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro,  durante protesto em Caracas, nesta quarta-feira (19) (Foto: Ronaldo Schemidt / AFP)

Manifestantes queimam foto do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante protesto em Caracas, nesta quarta-feira (19) (Foto: Ronaldo Schemidt / AFP)

No clímax de uma série de protestos violentos que deixaram cinco mortos, manifestantes por todo o país exigem que o governo apresente um cronograma para as eleições, que suspenda a repressão contra as manifestações e que respeite a autonomia da Assembleia Nacional, liderada pela oposição, segundo a Reuters.

Maduro, que diz que os protestos recentes foram esforços da oposição para estimular a violência e derrubar seu governo, convocou simpatizantes do governista Partido Socialista a realizar uma manifestação concorrente em Caracas.

Simpatizantes do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, protestam em Caracas, nesta quarta-feira (19)  (Foto: Federico Parra / AFP)

Simpatizantes do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, protestam em Caracas, nesta quarta-feira (19) (Foto: Federico Parra / AFP)

 

Direito a manifestação

A procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega, solicitou nesta quarta-feira aos organismos de segurança do Estado que garantam o direito de manifestação pacífica, quando oposição e governismo marcham em Caracas.

"Os responsáveis dos organismos de segurança do Estado devem garantir o exercício do direito de manifestação pacífica, sob um apego estrito aos direitos humanos. Os mecanismos de negociação devem se esgotar antes do uso da força pública", afirma um comunicado divulgado por Ortega.

Ortega - chavista confessa - surpreendeu há duas semanas quando classificou como uma "ruptura da ordem constitucional" a sentença com a qual o máximo tribunal assumiu as funções do Parlamento de maioria opositora, uma reação que impulsionou a anulação parcial da decisão.

No comunicado, a procuradora também pediu aos atores políticos uma reflexão para que os protestos que convocarem sejam pacíficos e não coloquem "em risco a integridade física dos manifestantes" nem a estabilidade institucional.

 

Alta tensão

Na terça-feira (18), Maduro anunciou a ativação do "Plano Zamora", uma operação militar, policial e civil com o intuito de impedir um suposto golpe de Estado. A ativação desse plano aconteceu no mesmo dia em que a maioria opositora do Parlamento venezuelano pediu às Forças Armadas para que parem de reprimir as manifestações da oposição e que sejam leais à Constituição.

Maduro anunciou ainda que foi detido um dos líderes do "complô militar" contra seu governo e um comando da oposição que pretendia atacar sua própria manifestação.

"Capturamos um dos líderes do complô militar que estamos desmantelando há três semanas. Já se encontra preso e está sendo processado na jurisdição militar encarregada de todos os golpistas, civis e militares, incluindo os reformados, como é o caso".

"Também capturamos um grupo de infiltrados, procedente do interior do país (...), um comando da oposição com armas e planos para agredir a mobilização convocada pela direita", revelou Maduro.

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